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| Foto: Douglas Mauro/AFP |
Por: Alexandre Leite
Futebol News, Minas Gerais
8
de dezembro de 2019, a data em que mais um gigante do futebol viveu a
experiência do rebaixamento. A primeira queda da história do Cruzeiro foi
resultado de uma série de fatores e problemas que o time vem acumulando ao
longo da temporada.
Nos
últimos anos a situação do Cruzeiro parecia muito confortável, as boas atuações
dentro de campo renderam 4 brasileiros e 3 copas do Brasil aos mineiros, mas os gastos
astronômicos com contratações para montar esse elenco vencedor foram se
acumulando e a conta chegou para o clube nesse ano de 2019.
Após
uma reportagem feita pelo Grupo Globo, exibida no programa Fantástico, no dia
26 de maio deste ano, as grandes irregularidades cometidas pela gestão de
Wagner Pires de Sá e Itair Machado vieram à tona.
Casos
de lavagem de dinheiro e venda irregular de jogadores, inclusive menores de
idade, causaram um clima de muita polêmica e apreensão no clube. As dívidas se
transformaram em salários atrasados, declarações polêmicas de jogadores e
dirigentes; e consequentemente em resultados ruins dentro de campo culminando na queda de
treinadores.
Mano
Menezes, um técnico muito vitorioso sob o comando do Cruzeiro, amado pela
torcida graças à conquista de 2 copas do Brasil, foi o primeiro a cair. O
treinador não conseguiu blindar a equipe dos problemas extracampo e acabou
sendo demitido após um início muito ruim no brasileiro. Sob o comando de Mano a
equipe celeste conquistou apenas 10, dentre os 39 pontos disputados.
Com
a demissão do Mano, Rogério Ceni ganhou força e chegou ao clube. O ex-goleiro
estava apenas no início de sua carreira como treinador, mas já havia ganhado um
título da série B com o Fortaleza, fazia um bom início de temporada na série A
com o clube, e aceitou o desafio de deixar o leão da ilha para treinar a equipe
celeste.
No
entanto, a torcida pôde perceber que o problema do Cruzeiro ia muito além do treinador.
Sob o comando de Ceni os resultados ruins continuaram, e as polêmicas
aumentaram. O treinador até tentou colocar ordem na casa, mas disse não ter
tido autonomia suficiente pra executar seu projeto do jeito que gostaria, e
após desentendimentos com alguns jogadores que têm muita força dentro do clube,
como é o caso do lateral Edílson, o zagueiro Dedé e o meia Thiago Neves, Ceni teve
de deixar o comando, após apenas 46 dias no cargo, tendo conquistado 8 pontos
em 21 disputados.
Com a queda de Ceni mais
um treinador chegou para tentar resolver o problema da equipe mineira. Dessa
vez, o experiente Abel Braga. Que apesar do bom relacionamento que tinha com
jogadores com o Thiago Neves, por terem trabalhado juntos na época de
Fluminense, acabou não conseguindo bons resultados e abrindo mão do cargo,
alegando não ter forças para tirar o Cruzeiro daquela situação. A queda do
treinador aconteceu logo após a derrota para o CSA no Mineirão.
Faltando apenas 3
rodadas do fim, Adílson Batista assumiu o cargo para tentar operar um
verdadeiro milagre e tirar o Cruzeiro da situação delicada que vivia. No
entanto a equipe comandada por Adilson acumulou 3 derrotas em 3 jogos, sem
sequer ter marcado um gol.
Toda essa troca de
treinador, somada a má fase dos jogadores como Thiago Neves, Fred, Rodriguinho
e Pedro Rocha, que eram esperança de gols e boas atuações na equipe celeste
acabou sendo fator crucial para a queda. Isso claro, além dos resultados ruins.
O Cruzeiro terminou o
campeonato como um dos times que possui a menor quantidade de vitórias, venceu
apenas 7 jogos. Se igualando a Chapecoense e perdendo apenas para o Avaí nesse
quesito. Foi à equipe que mais empatou no campeonato, com 15 empates. Além das
16 derrotas que colecionou durante a competição.
Um campeonato onde
todos os acontecimentos pareciam favoráveis a uma recuperação do Cruzeiro, uma
vez que na parte de baixo da tabela, todos os adversários faziam campanhas
muito ruins, acabou sendo decidido pela campanha pior ainda do Cruzeiro.
O Ceará, adversário direto do Cruzeiro nessa briga contra o rebaixamento se safou da série B com uma das pontuações mais baixas da história do campeonato em pontos corridos. Geralmente, times com 39 pontos não conseguem se manter na elite do futebol.
O Ceará, adversário direto do Cruzeiro nessa briga contra o rebaixamento se safou da série B com uma das pontuações mais baixas da história do campeonato em pontos corridos. Geralmente, times com 39 pontos não conseguem se manter na elite do futebol.
Mas por tudo o que
aconteceu durante o ano, todas as polêmicas, os pontos perdidos para
adversários tecnicamente inferiores, mesmo jogando dentro de casa, podemos
dizer que o maior adversário do Cruzeiro foi ele mesmo, a equipe fez um ano
irreconhecível e podemos até dizer que mereceu essa queda.
Como se já não bastasse
toda essa situação, a ida da equipe celeste para a série B ficou manchada pelo
ato de vandalismo de alguns torcedores na última partida contra o Palmeiras.
Após o primeiro gol sofrido pela equipe celeste, a atmosfera do Mineirão virou
um verdadeiro filme de guerra. Com cadeiras sendo arremessadas, tiros de bala
de borracha disparados pela polícia, que tentava controlar a confusão e mulheres
e crianças sendo retiradas as pressas.
Depois dessas cenas
lamentáveis e desse ano ruim, o que resta ao Cruzeiro é se reestruturar, colocar
ordem na casa e controlar as dívidas. Um desafio que não vai ser fácil, mas com
o apoio dos verdadeiros torcedores, e uma gestão bem feita, o Cruzeiro pode
voltar a reencontrar o caminho das vitórias e dos títulos e a novamente colocar
seu nome nas prateleiras mais altas do futebol nacional.

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