No peito, na raça! Analise de Brasil 2x0 Argentina


O homem do jogo, Gabriel Jesus. Marcou 1 gol e deu o passe para o segundo. Imagem: Futebol Brasil


Por Rodrygo Nascimento
FutebolNews

Após 40 jogos, Lionel Scaloni conseguiu repetir a escalação. Tite tinha apenas um desfalque que era o de Filipe Luís, em seu lugar atuou Alex Sandro. Apesar de manter o mesmo padrão, o comportamento tático dos jogadores na partida foi outro. Atenção aos rebotas e nas coberturas, apoio incessante dos extremos aos laterais. Já pela parte dos Hermanos, uma equipe bem mais organizada, arriscando a dizer que seja a mais organizada desde a Copa de 2014. Eficiente na marcação, e levando muito perigo ao gol do Brasil. O que torna a vitória, num tanto, preocupante para o lado do Brasil. Quando enfrentou equipes inferiores tecnicamente, porém, organizadas passou por dificuldades, assim foi ontem.

Imagem: SofaScore
A Argentina não abriu mão dos três meio-campistas. Messi flutuando por de trás dos atacantes, com liberdade para armar vindo de trás e atacar a área. Tite manteve o 4-2-3-1 tradicional com variação para o 4-1-4-1 nos momento com e sem bola. Isso mais notado quando o Brasil abaixa suas linhas atraindo o adversário para seu campo. Nas transições ataque-defesa buscava um ataque mais rápido e infiltrando nos espaços vazios, esses que a Argentina só começou a ceder com mais facilidade após a metade do segundo tempo.

1ª Tempo

O Brasil se comportou de maneira quase perfeita. Marcou em bloco médio/baixo, adotando uma flutuação tendo a bola como referência, fechando os espaços nos corredores laterais e congestionando o corredor central. Gabriel Jesus e Everton fazendo papel fundamental, principalmente Jesus. Recuava e fazia as dobras com Daniel Alves e atacava o espaços cedido por Tagliafico, em alguns momentos o atacante se viu em condição de 1x1 (um contra um) com o zagueiro Otamendi. Nas poucas vezes que subiu as linhas deu trabalho a Argentina não tinha aproximação na saída de bola, o que facilitava a roubada. O primeiro gol, inclusive sai de uma roubada de bola no campo de ataque e após bela jogada, Firmino encontrou Jesus dentro da área sozinho e empurrou pro gol. Apesar do jogo mais posicional, um novidade foram as inversões de Firmino e Jesus, algo que confundiu a marcação da Argentina.

Imagem: SofaScore
Imagem: SofaScore

Os três principais jogadores do Brasil, a individualidade resolveu em um coletivo. Imagem: SofaScore

Por parte da Argentina, demorou até entrar no jogo, mas quando entrou ofereceu muito perigos a seleção. O trio da frente (Aguero, Lautaro e Messi) com intensa movimentação no corredor central, após o gol do Brasil, encontrou espaços e mostrou um desiquilíbrio neste setor. Com a pouca participação de Coutinho, Messi enfrentava Arthur e Casemiro e quando conseguia passar por esta dobra na marcação criou oportunidades de gol. Marquinhos e Thiago Silva fizeram partidas seguras, mas tiveram dificuldades na marcação de Aguero e Lautaro que se revesam no momento sem bola. Scaloni optou por uma marcação mais zonal. Ora a Argentina marcava em bloco médio no 4-4-2 com duas linhas de 4 ou se comportava em 4-3-3 em bloco alto. Este que dificultou o Brasil na saída de bola, pois Arthur ficou sobrecarregado por fazer este papel quase sozinho. 

No geral o primeiro tempo a Argentina foi melhor, agrediu mais o Brasil, circulou mais a bola nos corredores e neutralizou as jogadas. Paredes teve papel fundamental nisto. Anulando Coutinho e auxiliando na saída de bola da seleção que utilizava 3+1 (3 zagueiros e 1 volante).

Números do primeiro tempo: 

Finalizações: 2 x 6 
Finalizações certas: 2 x 0
Passes: 233 x 237 
Passes certos: 199 x 201 (ambos com 85% de acerto)
Posse de bola%: 49 x 51

2ª Tempo 

Tite promoveu a entrada de William. O jogador entrou no lugar de Everton que foi bastante apagado no jogo de ontem, longe do jogador que vinham bem nesta Copa América. Scaloni manteve o mesmo time. E o panorama foi o mesmo do primeiro tempo. Brasil mais fechado, compactando suas linhas e a Argentina circulando a bola procurando espaços entre as linhas do Brasil, e achou. Principalmente com Messi que funcionou como enganche do losango do meio. Quando conseguia quebrar a primeira linha de marcação da seleção encontrou facilidade em infiltrar pelo corredor central. Scaloni colocou Dí Maria no lugar de Acuña, que esteve abaixo na partida de ontem, não surtiu efeito.

A Argentina seguiu pressionando e bastante a seleção, colocou uma bola na trave com o craque do Barcelona, que novamente foi o expoente de genialidade da seleção. Entretanto vale ressaltar a ótima partida de Lautaro, Foyth e Rodrigo de Paul. Cada um com função e setor diferente. De Paul deu equilíbrio pelo corredor direito e inibiu as subidas de Alex Sandro. Lautaro sempre se movimentando, gerando espaços para quem vem de trás e em alguns momento recuando para fechar as linhas. Foyth fundamental nas saídas de bola, perfeito nas coberturas e cirúrgico nos combates terrestres, o Brasil não atacou pelo lado esquerdo, nem com Everton, William ou Alex Sandro. Paredes também teve papel fundamental, sempre gerando linhas de passe e atento na segunda bola.

Destaque no sistema defensivo na Argentina: Imagem: SofaScore



Mais uma boa partida de Paredes, se tornando do pilar do meio campo. Imagem: SofaScore


















Fez bem o papel de atacante, fechou as linhas de passes da
seleção quando tentava o passe no corredor central.
Imagem: SofaScore











Deu equilíbrio no corredor direito. Peça fundamental no sistema. Imagem: SofaScore











Após a Argentina se lançar ao ataque de forma desorganizada, algo que não havia acontecido ainda, o Brasil chegou ao segundo gol. Contra ataque mortal após bela jogada de Gabriel Jesus, que voltou a fazer um bom jogo com a seleção e consolidando a condição de titular da equipe. Sua verticalidade e potencia na arrancada, aliada ao seu forte 1x1 deu equilíbrio a seleção.

Números do segundo tempo: 


Finalizações: 2 x 8
Finalizações certas: 1 x 2 
Passes: 188 x 183
Passes certos: 157 (84%) x 156 (85%)
Posse de bola%: 49 x 51

 Resumo geral do jogo

Área de finalização de Brasil x Argentina respectivamente. Imagem: FootStats











Área de concentração de posse de bola de Brasil x Argentina respectivamente. Imagem: FootStats







Apesar do bom jogo coletivo da seleção brasileira, as individualidades resolveram. Vale ressaltar que novamente a seleção passou por momentos ruins dentro do jogo e com seus jogadores fundamentais fazendo partidas bem abaixo, Arthur, Coutinho e Everton. Cedeu alguns espaços entre as linhas. O comportamento reativo deu certo quando a Argentina se lançou ao ataque. A vitória em clássico não pode poluir e fazer com que se esqueça das outras partidas ruins. Principalmente sendo contra uma Argentina não repetia uma escalação à 40 jogos.

Mapa de calor de Brasil x Argentina respectivamente. Imagem: FootStats

Para os Hermanos pode ter sido um fio de esperança. Jogadores da nova geração como Acuña, Rodrigo De Paul, Paredes, Foyth, Lautaro Martínez e Tagliafico são o ponto de partida da renovação. O pouco de organização que demonstrou na partida deu trabalho a seleção brasileira.

Parabéns a seleção brasileira que chega á final após 12 anos. Título que se vier pode dar um gás para Tite, mas sem esquecer que precisa melhorar para a final e competições que estão por vir. 

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