Por: João Victor Viana
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| Atletas comemorando a conquista da primeira Liga dos Campeões do Chelsea, após 107 anos de história (Foto: Reprodução Daily Post) |
A série “Jogos Para Sempre” desta semana vem trazer uma final de Uefa Champions League. A edição que se encerrou em 2012, teve uma final emocionante. O Chelsea, da Inglaterra, bateu o Bayern de Munique, da Alemanha; e ergueu a 'orelhuda' pela primeira vez em sua história.
Em busca de seu
quinto título, o Bayern passou em primeiro em um grupo com Napoli, Manchester
City e Villareal, e superou na fase final Basel (oitavas), Olympique de
Marseille (quartas) e Real Madrid (semifinal) até chegar a sua nona
final de Champions League, da história.
Já o time inglês alcançou em 2012 sua segunda final da
história, e ainda não havia conquistado o maior torneio da Europa. Para jogar a
final, o Chelsea passou em primeiro no grupo que possuía Bayer Leverkusen,
Valencia e Genk; e na fase mata-mata, venceram Napoli, Benfica e Barcelona,
respectivamente.
A partida aconteceu no dia 19 de maio do ano de 2012,
para um público de 62.500 pessoas. O palco da decisão foi a Allianz Arena,
justamente a casa do Bayern de Munique. Esta combinação de um time jogar
exatamente em seu estádio havia acontecido em outras três oportunidades.
A equipe da casa era favorita. Com um time que jogava pra
frente, com mais recursos ofensivos que o adversário e jogando com a maioria da
torcida a seu favor, o Bayern era considerado superior para conquistar o título
da Liga dos Campeões – que não vencia desde 2001. O Chelsea chegou à final
tendo a defesa como seu melhor setor de atuação, apostando sempre nos contra
ataques.
Devido a uma suspensão, John Terry, zagueiro e capitão do
time de Londres foi desfalque importante naquela partida. Não só ele, mas
Ivanovic, Raul Meireles e o brasileiro Ramires, todos fora por suspensão, também
complicaram a vida do técnico Roberto di Matteo na montagem da equipe. O treinador italiano precisou improvisar o lateral Ryan Bertrand na linha de meio campo, e
o inglês se tornou o primeiro jogador a estrear na Champions League diretamente
na final. O Chelsea foi a campo com: Cech, Bosingwa, David Luiz, Cahill e A.
Cole; Obi Mikel, Lampard, Kalou, Mata e Bertrand; e na frente o centro avante
Didier Drogba.
Para Jupp Heynckes, técnico do time alemão, a vida também
não foi tão simples. Por suspensão pelo terceiro cartão amarelo, o alemão não
pôde contar com o zagueiro Badstuber, o lateral Alaba e o volante brasileiro
Luiz Gustavo. Realizando as mudanças necessárias, o comandante alemão escalou para
aquela final: Neuer, Lahm, Boateng, Tymoshchuck e Contento; Kroos,
Schweinsteiger, Robben, Müller e Ribéry; Mario Gómez mais adiantado.
O primeiro tempo foi o que se esperava da partida. O Bayern
indo pra cima, tendo e controle do jogo e chegando muitos mais ao gol. E o
londrinos também ao seu estilo, jogando defensivamente, apostando nos contra
golpes. Mario Gómez teve três boas chances, Ribéry e Müller conseguiram um
chute cada. Mas a principal chance foi aos 19 minutos, em que Arjen Robben
invadiu a área, bateu rasteiro e obrigou Petr Cech a fazer uma difícil defesa
com o pé direito. O Chelsea teve uma boa chance com Kalou, após boa jogada coletiva
da equipe, mas acabou nas mãos de Neuer.
As equipes voltaram sem mudanças para a segunda etapa. O jogo
continuou no mesmo padrão, o Bayern conseguiu até balançar as redes, mas o gol
foi anulado sendo anotado o impedimento de Ribéry. O Chelsea não tinha medo
nenhum de se defender, colocava todos os jogadores atrás da linha da bola, e
hora ou outra assustava o goleiro alemão. Até que aos 83 minutos de jogo veio o
gol de quem tanto insistiu, Kroos cruzou do bico da área do lado esquerdo para
Müller, que veio no segundo pau de encontro com a bola, cabeceou para o chão e
balançou as redes, para felicidade alemã.
O Chelsea parecia estar “morto” naquele momento do jogo.
Com tão pouco tempo, era praticamente impossível uma equipe que se defendeu
tanto, alcançar um gol milagroso. O treinador alemão segurou o time, tirando
Müller e colocando o zagueiro Van Buyten. Quando aos 43 minutos do segundo
tempo, no único escanteio que os ingleses conseguiram na partida, Mata cobrou e Drogba,
também de cabeça, fez o gol de empate.
Com todo desespero alemão, e toda felicidade inglesa, o
jogo foi para a prorrogação.
E quem estava sendo o herói do jogo, poderia ter sido o
vilão. Drogba, ajudando o time na defesa, cometeu pênalti em Ribéry, logo aos 4
minutos de prorrogação. Arjen Robben foi para a cobrança, o canhoto se
concentrou muito, mas perdeu o pênalti; ele bateu cruzado, forte, a bola não
foi tão no canto e Cech foi para o canto certo e fez a defesa daquela final.
Após isso, o Bayern ainda martelou, mas não conseguiu chegar ao gol do título,
e o campeão de 2012 da UCL precisaria ser decidido nas penalidades.
Os donos da casa começaram batendo, o já experiente Lahm
guardou o primeiro. O espanhol Juan Mata abriu a série do Chelsea, e abriu mal,
bateu cruzado e Neuer defendeu.
O segundo batedor do time de vermelho foi o centro avante
Mario Gómez, o camisa 33 também balançou as redes na segunda cobrança. Com uma pressão
imensa, o zagueiro David Luiz foi para a bola precisando converter, e o
brasileiro foi muito bem, bateu forte e alto, sem chances para o goleiro
adversário.
De forma surpreendente, Manuel Neuer foi o terceiro a
cobrar, bateu cruzado, rasteiro e marcou mais um gol para o Bayern, que
continuava na frente. O capitão londrino naquela noite foi o escolhido para a
terceira penalidade, Lampard bateu no alto e no meio, e manteve o Chelsea vivo
na disputa.
O croata Olic, que entrou durante a prorrogação,
desperdiçou o primeiro pênalti da equipe alemã, Cech caiu em seu canto esquerdo
e fez a defesa com apenas uma das mãos. A missão de empatar a série ficou nos pés de
Ashley Cole, e ele a cumpriu, colou a bola na “bochecha” do gol e deixou tudo
igual.
Desta maneira, a quinta cobrança já foi como as
alternadas. E Schweinsteiger foi o batedor do Bayern de Munique. Com muita
categoria, o meio campista bateu no canto esquerdo de Cech, mas com a ponta dos
dedos o goleiro defendeu a bola que ainda bateu na trave, e permaneceu no
campo. O desespero foi visível no rosto do alemão.
A bola do título ficou nos pés de Drogba, ele que fez o
Chelsea voltar a respirar e depois quase jogou tudo por água abaixo, tinha em
seus pés o pênalti mais importante da história dos blues. E tudo aquilo parece
que não pressionou o marfinense, ele tomou pouca distância, foi pra bola,
deslocou Neuer e saiu para comemorar com seus companheiros e a torcida o momento
ápice da história do Chelsea Football Club.
Esta foi a final que levou o Chelsea a realizar um sonho.
Após 9 anos, o grande objetivo do projeto de Roman Abramovich para o time de
Stamford Bridge foi alcançado.

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