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| Rodrygo, Paulinho e Vinícius Junior, a nova geração do futebol brasileiro. Imagem: futebolstats.com.br |
Por: Rodrygo Nascimento
FutebolNews
Nos últimos anos o futebol brasileiro foi um
grande exportador de jogadores jovens para a Europa. Paulinho, Lucas Paquetá,
Vinicius Junior, Rodrygo, voltando um pouco mais no tempo Gerson, Wendel, Malcon
e Jorge. Sabe qual é a semelhança em todos esses nomes? Passaram pouco tempo na
equipe profissional em seus clubes de origens. É inegável que o Brasil continua
produzindo bons jogadores, a questão é: Quanto tempo vai ficar jogando o
Campeonato Brasileiro? O que leva ao êxodo precoce dos jovens talentos do
Brasil para a Europa?
São vários os fatores que levam a isso. A
condição financeira da maioria dos clubes contribui muito, abertura da janela
européia em meados dos anos 90 facilitou para transferência dos jogadores, não
só os brasileiros, mas outros países da América do Sul também como Argentina e
Uruguai. Os gigantes do velho continente, com seus caminhões de dinheiro e
estrutura muito superior aproveitando a fragilidade apresentada pelos clubes
brasileiros. O sonho de disputar uma UEFA Champions League, premiações
individuais de grande relevância estabilidade financeira, junta com o interesse
do empresário e também acabam pesando para a transferência precoce.
O investimento no mercado brasileiro não é
algo especifico de agora. Nos anos 90, as apostas eram em jogadores mais
experientes com idade entre 25 e 28 anos. O motivo para estas escolhas era de que,
conseguiriam ter um atleta mais preparado tanto fisicamente quanto
psicologicamente. Com algumas temporadas disputadas na equipe de cima teria um
desempenho esperado quando fosse disputar o campeonato na Europa. Entretanto,
também existiam casos de jogadores com idade abaixo destas que também já havia
se transferido para a Europa, Ronaldo e Zé Elias são bons exemplos, porém,
antes de ir Zé era ídolo do Corinthians e já tinha conquistado uma Copa do
Brasil com a equipe, Ronaldo com uma Copa do Mundo e um título mineiro pelo
Cruzeiro. Não saíram direto da base para o exterior, até por conta das leis da
época que logo depois foram alteradas.
Equipes como Arsenal, Barcelona, Real Madrid,
entre outras, enviava olheiros (pessoa especifica e contrata do clube para
observar jogadores). Com as mudanças no estilo de jogo e na cultura de alguns
países, a Lei Bosman e Lei Pelé, cifras começaram a aumentar e a busca por um
novo craque que pudesse trazer título e retorno financeiro ficou mais intensiva
e as transferências mais corriqueiras anos após ano. Agora a postura adotada é
outra, levar o garoto e o adaptar para se enquadrar o quanto antes ao estilo
europeu. Jogadores a partir dos 15 anos já tem a assédio para uma futura
negociação. Hoje, é muito comum ver brasileiros despontando em outros
campeonatos no exterior que nem se quer ouvimos falar, isso faz parte destas
negociações precoces. Diego Costa, Jorginho, Hulk e Ederson são bons exemplos.
Tanto a fragilidade financeira quanto
estrutural das equipes brasileiras contribui demais para o isso. A necessidade
em ter o lucro com o garoto vira válvula de escape para a incompetência dos
dirigentes na administração. Contratos com multas astronômicas hoje em dia são
normais e serve para a proteção do clube, os gigantes do velho continente tendo
a grana para investir, apostam na esperança de estar contratando um novo craque
do futebol mundial. Por essas condições existem negociações com valores
extremamente fora do padrão normal para um garoto de apenas 17 ou 16 anos.
Apesar das idades precoces em que saem daqui,
um ponto positivo para isto é que, eles conseguem desenvolver muito mais rápido
seu futebol e se tornam jogadores muito mais completos, cumprindo funções
táticas que hoje são mais exigidas, com mais vigor e entendimento do jogo de
uma forma muito mais ampla. Premiações individuais, seleções de melhores da
UEFA, títulos de relevância mundial e o “pé de meia” antecipado, a garantia de
conforto pelo resto da vida e a proximidade do estrelato, tudo isso possível ao
dizer sim a uma proposta. Entretanto, é impossível julgar o jovem que sai
daqui, consegue alcançar um sonho, chegar aonde sempre buscou e batalhou ao
longo da vida.
Poucos são os clubes que realmente preparam
todo o terreno para a jóia sair do Brasil e não fique dependendo do dinheiro da
negociação. Os casos de Vinícius Júnior e Neymar são exceções da regra, em que
é refém da venda e necessita desesperadamente do pagamento da multa.
Entretanto, em boa parte dos clubes que negociam seus jovens a realidade é
outra e por isso saída é cada vez mais acentuada e ligada ao momento financeiro
atual.

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