O desafio da França depois do bicampeonato mundial

Por José Gustavo Felix
FutebolNews

Nas últimas três edições de Copas do Mundo, a seleção que defendia o título foi eliminada na primeira fase: Itália em 2010, Espanha em 2014 e Alemanha em 2018. O desafio da França agora é não repetir o feito em 2022, mas como? 

Comemoração depois da vitória sobre a Croácia, na final. Fonte: Instagram Oficial da seleção francesa
NATIONS LEAGUE

Após ser campeã este ano, na Rússia, a equipe de Didier Deschamps disputou a Nations League e não se classificou para o Final Four. A França terminou em segundo lugar e apenas o primeiro, de cada chave, vai à fase seguinte. O que fazer para seguir como "a melhor seleção do mundo"?


campanha na Nations foi de duas vitórias, um empate e uma derrota. Este resultado gerou críticas da imprensa sobre Deschamps. Nas convocações, sempre que possível, o treinador foi pragmático e chamou o máximo de jogadores do elenco que esteve na Rússia.

O grupo era complicado, com duas seleções tradicionais e muito fortes como Alemanha e Holanda. Contudo, esperava-se mais da atual campeã do mundo, por ser teoricamente a equipe mais forte. Os alemães foram muito mal na Rússia (eliminados na fase de grupos) e passam por um momento complicado. Enquanto os holandeses sequer se classificaram para o mundial deste ano, e estão caminhando para voltar a ser uma seleção competitiva como antes. 

Foram três convocações de Deschamps depois do mundial. Na comparação com os campeões do mundo, na primeira lista, houve apenas uma troca: Costil na vaga de Mandanda. Na segunda, saíram: Umtiti, Rami, Mendy e Tolisso. Entraram: Zouma, Sakho, Digne e Ndombelé. Na terceira ficaram fora: Umtiti, Hernández, Tolisso e Lemar. E os substitutos foram: Sakho, Digne, Ndombelé e Martial. Todas as mexidas foram por lesão.

RENOVAÇÃO

Segundo o jornalista Filipe Frossard Papini, blogueiro de futebol francês e administrador da página @BrasilLyonnais no Twitter, o maior desafio de Deschamps vai ser manter a motivação de seu elenco. "O grande desafio de Deschamps vai ser, no final das contas, conseguir manter o estímulo do grupo. Basta pensar: um time que acabou de ganhar a maior competição de futebol do planeta, almeja o quê mais com a seleção? A resposta não é simples. Ele precisa ter o elenco muito bem fechado com as ideias dele para que este estímulo quase diário permaneça até a próxima Euro e, quiçá, a Copa do Catar."

Filipe também acredita que o técnico acerta em manter uma espinha dorsal do elenco e em não descartar alguns nomes mais experientes e até contestados: "Por ele, manteria o elenco do Mundial até onde der. Por isso, nomes que são contestáveis como Rami e Sidibé seguem sendo chamados sem qualquer cerimônia. A relação do elenco se transpôs ao natural - que é convocar os melhores do momento e ir pro jogo. Deschamps criou um espírito familiar com aqueles que foram às glórias e isso não é ruim. É só uma linha de pensamento que é coerente. E Didier preza por isso."


A França tem um elenco jovem. Segundo um levantamento feito pelo Le Monde, foi a equipe com a segunda menor média de idade no mundial.  Porém, há uma nova geração de jogadores de jogadores surgindo. A questão é, não seria o momento de renovar e dar chance para outros atletas, mais motivados em vestir a camisa da seleção? O desafio agora é manter a base campeã e conseguir acrescentar novos jogadores de talento. Escolhemos três nomes com potencial, que estão se destacando em seus clubes. 

1. ZAGADOU

Time: Borussia Dortmund
Posição: Zagueiro central
Pé preferido: Canhoto
Idade: 19 anos
Altura: 196cm


Fonte: Reprodução Instagram
Revelado nas categorias de base do Paris Saint-Germain, ele foi para o Dortmund buscando mais tempo de jogo. Segundo o WhoScored, Zagadou atuou 12 vezes na temporada até o momento. Foram oito pela Bundesliga, uma pela Copa da Alemanha e três pela Champions League. O francês foi titular em todas e não foi substituído nenhuma vez. O zagueiro, que também pode atuar como lateral esquerdo, tem uma média de 89% de acerto nos passes.
De acordo com Filipe Frossard, um dos trunfos de Zagadou é poder atuar em mais de uma posição, o que agrada o treinador Didier Deschamps: "Um zagueiro de porte, e muito potencial.  Ainda não vem sendo cogitado para atuar pela seleção de Deschamps, mas se continuar na crescente, pode almejar coisas maiores, ainda mais por já estar em um time de destaque no cenário europeu. Zagueiro canhoto e que pode atuar pela lateral esquerda. Isso é importante, Deschamps gosta de atletas com esse perfil (vide Umtiti, Pavard e Lucas Hernández)."

2. AOUAR

Time: Olympique Lyonnais
Posição: Meia
Pé preferido: Destro
Idade: 20 anos
Altura: 175cm




Fonte: Reprodução Instagram
Revelado na excelente base do Lyon, Aouar já virou titular absoluto da equipe. Segundo o WhoScored, ele atuou 19 vezes até aqui. No campeonato francês, foram 14 aparições e 1078 minutos em campo. Na Champions, foram 5 partidas e ele jogou todos os 450 minutos, sem ser substituído. No total, soma cinco gols e quatro assistências.
De acordo com Filipe, um ponto positivo de Aouar é a sua versatilidade: "Talvez a principal cria da base do Lyon depois da ascensão de Nabil Fekir. Houssem Aouar começou a ter oportunidades no começo de 2017 e sutilmente foi conquistando espaço no time principal do OL em um setor que tinha uma concorrência complicada. Sua vantagem é que se adaptou muito bem em qualquer uma das três posições que Bruno Génésio o colocava: segundo volante, meia clássico ou mais aberto pela esquerda, como ponta. É um jogador com passagem por todas as seleções de base da França e se caracteriza por ser um atleta cerebral, com paciência e refinamento quando tem a bola aos pés."


3. NDOMBELÉ

Time: Olympique Lyonnais
Posição: Volante
Pé preferido: Destro
Idade: 21 anos
Altura: 181cm

Fonte: Reprodução Instagram

Ex-Amiens, Ndombelé foi uma cartada certeira do Lyon. Ele chegou ao Olympique em agosto de 2017 e neste ano foi convocado pela primeira vez.
O volante tem números parecidos com Aouar. Segundo o WhoScored, ele também atuou 19 vezes. O número total de minutos em campo é de 1539, contra 1528 do seu companheiro de clube. Tanguy Ndombelé marcou duas vezes e também deu quatro passes para gol. 
Filipe Frossard compara seu estilo de jogo a um titular absoluto de Deschamps, no meio de campo:
"Vinha apenas de uma boa temporada pelo Amiens e conseguiu despertar a atenção do Lyon, que precisava de um jogador com aquelas características, já que acabara de vender Tolisso ao Bayern. Além de suprir a carência de um volante que havia se tornado ídolo da torcida, recém chegado a Seleção Francesa, cria da base e que deixaria uma lacuna enorme no meio de campo, Ndombele precisava convencer em sua primeira temporada na Ligue 1. E fez muito mais do que tudo isso. Demorou menos de dois meses para conquistar vaga no time principal. Fez uma temporada praticamente irretocável pelo Lyon, que exerceu seu direito de compra, agora, no último mercado. Chegou agora na Seleção Francesa  e, mais uma vez, não fez feio. Segundo volante de muita classe. Lembra um pouco o estilo de jogo do próprio Pogba, mas com um controle de jogo e desempenho físico ainda maior. É um maestro com a bola aos pés e um Juggernaut sem ela. Um meio-campista que qualquer equipe no mundo gostaria de ter à disposição. Também será World Class em pouquíssimo tempo."

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