FUTHISTÓRIAS: Lukaku, o mais brasileiro dos belgas que vem encantando torcedores na terra da rainha

Foto: Reprodução
Por: Gabriel Lima 
FutebolNews

Português fluente, amante de churrasco, feijoada e guaraná, além da admiração pelo futebol brasileiro e com Adriano como ídolo. Esse perfil poderia ser de qualquer jogador sul americano ou que tenha jogado no Brasil, mas se trata do belga Romelu Lukaku. Hoje jogador do Manchester United-ING, o atacante conviveu durante muito tempo com jogadores brasileiros no Chelsea, clube que jogou em 2011.

Infância

Filho de jogador de futebol, Lukaku teve uma infância muito humilde. Dos tempos de quando jogava, o pai do atacante tinha somente as chuteiras, que eram utilizadas pelo filho. O dinheiro acabou quando as pendurou. Sem condições, sua família almoçava somente pão e leite. Eletricidade, não tinha. As luzes ficavam sempre apagadas. O banho? Era gelado.
Apesar de todas as dificuldades, entre estudos e o sonho de virar um jogador de futebol, o belga, aos seis anos de idade, fez uma profecia, que pouco tempo mais tarde se concretizaria. Com tamanha pobreza, ele disse aos pais que seria um jogador profissional do Anderletch-BEL assim que possível, ou seja, aos 16 anos.

Início da carreira

Não foi nada fácil. Ainda criança, quando tinha apenas 11 anos, Lukaku já jogava na base do Lièrse, clube da Antuérpia, local onde nasceu. Nessa idade, ele era muito mais alto e muito mais forte do que os outros garotos que jogavam com ele e isso levantava muitas dúvidas a respeito de sua verdadeira idade. Uma vez, em uma entrevista, Romelu lembrou de um episódio envolvendo essa situação. Ele disse que um dos pais tentou o impedir de entrar no gramado por não acreditar que aquele menino era da mesma idade dos outros.

Quando tinha 14 anos, o Lille se interessou por seu futebol e convidou Lukaku e sua família para conhecer as instalações. Mas o interesse por parte do atleta e de sua trupe acabou ali. Os dirigentes do clube duvidaram da idade do atacante e Roger se enfureceu. Esqueceu o clube francês naquela ocasião e retornou para a Bélgica.

Essa situação acontecia tantas vezes que sua mãe sempre carregava consigo a certidão de nascimento, para comprovar que ele estava apto a jogar naquela categoria. Uma pessoa, em seu Twitter, compartilhou uma foto daquela época. A diferença entre os dois capitães é assustadora. Confira:



Carreira profissional

Como ele mesmo previu, Lukaku se profissionalizou aos 16 anos de idade, pelo Anderlecth-BEL, e logo explodiu. Conquistou uma incrível média de gols na temporada seguinte. Sem ser titular absoluto, ele marcou 12 gols em 18 jogos. Foi o suficiente para abrir os olhos de clubes europeus e das seleções. Nascido na Bélgica, mas de origens congolesas, a palavra final seria dele. Mas o pai, Roger Lukaku, que atuou pela seleção do Zaire, não queria permitir que o filho jogasse por uma seleção africana. Na década de 90, ele passou por muitos problemas com passagens aéreas, premiações que não foram pagas e críticas por parte da torcida por atuar fora de seu país de origem.

Encantou diversos clubes, entre eles Real Madrid, Chelsea e Tottenham. Mas Seu Roger o impediu de aceitar. Queria que o filho primeiro terminasse os estudos para depois seguir a carreira no futebol. E assim foi. Quando formou, assinou com os Blues. Era a realização de um sonho.

Os primeiros passos na Inglaterra

Comprado como grande promessa e conhecido com o “novo Drogba”, Lukaku realizou um sonho de infância. Era jogador de um grande clube inglês e via a oportunidade de deslanchar na carreira. Mas o atacante viu sua moral cair do céu ao inferno.

Na primeira temporada, quase não jogou, foram apenas 12 partidas e nenhum gol marcado. De grande promessa, passou a ser emprestado por falta de rendimento e confiança. Foi para o West Bromwich Albion, clube modesto da terra da rainha.

Com mais oportunidades para jogar, pôde mostrar o bom futebol. Titular na boa campanha de sua equipe, que ficou na 8ª colocação, Lukaku balançou a rede 17 vezes em 35 jogos. Números suficientes para voltar em alta para o Chelsea.

Porém, mais uma vez, foi emprestado. Dessa vez para o Éverton. E assim como aconteceu no primeiro empréstimo, o atacante fez por merecer. Dessa vez, foram 16 gols em 33 aparições. Mais do que qualquer outro jogador do Chelsea. Feliz em Liverpool, ele quis ficar. E foi atendido. O clube azul desembolsou R$ 106 milhões e o contratou.

Éverton e Manchester United

Foram tempos melhores para o camisa 9. Titular da equipe e podendo mostrar o bom futebol a todos, Lukaku foi conquistando a torcida e os adeptos do futebol. Foi ali que, aos 21 anos foi convocado para sua primeira Copa do Mundo.

Em três temporadas nos elefantes, foram 53 gols em 110 jogos e a confiança retomada.  Em sua última temporada, foi o vice artilheiro da Premier League com 25 gols, 4 atrás de Harry Kane, que foi o principal goleador.

Entre promessa e dúvida, ele virou uma realidade. Tanto que foi contratado pelo Manchester United à peso de ouro. Foram 320 milhões de reais. Hoje, aos 25 anos, Lukaku alcançou aquilo que mais desejava quando era criança: Um lugar entre as estrelas do futebol e é o belga mais caro da história.

Até agora, em duas temporadas, foram 20 gols em 42 jogos e o status de um dos jogadores mais importantes do elenco comandado por José Mourinho.

Seleção Belga

Maior artilheiro da história da Bélgica, Lukaku foi convocado para defender a seleção sub-15 de seu país em 2008. Já para a principal, foi em 2010, quando tinha somente 17 anos. Sua estreia foi em um amistoso contra a Croácia no dia 3 de março. Os primeiros gols foram marcados alguns meses mais tarde, em novembro, contra a Rússia. Foram os dois que deram a vitória contra a seleção do leste europeu.

Convocado para a Copa do Mundo de 2014, aqui mesmo, no Brasil, ele viu toda a alegria de jogar uma copa se transformar em tristeza quando perdeu a vaga de titular ainda na primeira fase. Mas quis o destino que ele estivesse ali, para ser o herói na partida das oitavas de final contra os Estados Unidos. Foi ele entrar, na prorrogação, que o time mudou a maneira de jogar. Com um gol e uma assistência, ele foi o principal jogador da equipe.

Mais maduro, aos 25 anos, a Copa de 2018 veio para firmar o grande jogador que é. Ajudou a Bélgica a chegar nas semifinais, além de ser um dos principais jogadores de sua seleção contra o Brasil. Foi dele a arrancada que culminou no gol de De Bruyne, o segundo dos belgas. Ele terminou a competição com 4 gols.

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