Virada histórica do Vasco, na Mercosul, é um dos capítulos marcantes para os torcedores Cruzmaltinos, em 2000.

Por: Maria Giovanna Carvalho

Relembrar das grandes emoções que o futebol nos traz, é recordar a paixão que o torcedor do esporte carrega em seu interior. Partilhando momentos que no dia de tal fato marcaram a sua vida, e hoje é uma profunda lembrança, com o sinal de que futebol é muito além do que um jogo, ou seja, carrega sentimento e a raça de seguir em frente na luta do objetivo final: a vitória!

O dia 20 de dezembro de 2000 foi o ponto final de um marco histórico que só o futebol consegue realizar. Final da Mercosul, hoje a atual Sul-Americana, no antigo estádio Parque Antarctica, casa dos Palmeirenses. Lá, estavam reunidos os dois grandes clubes: Palmeiras e Vasco. Uma final de grande estilo e profunda decisão. Foram momentos tensos, dramáticos, mistura da alegria de um lado com tristeza de outro, gritos, dribles, polêmicas. Grandes polêmicas! Mas um espírito futebolístico perceptível de um amor pelo esporte.

Bola em campo e um primeiro tempo na ativa, 9 minutos de jogo e 3 gols na rede Vascaína. Gritos vindo da arquibancada Palmeirense: “É CAMPEÃO!!! É CAMPEÃO!!!”. Cariocas desolados e não acreditando naquele momento surreal de uma final importante. Todos desacreditados de uma virada, achariam impossível, mas a torcida carioca não perdia a esperança.

A estimativa eram de mais ou menos 30 mil torcedores alviverdes Paulistas que gritavam e cantavam comemorando uma vitória antecipada na Mercosul. O Palmeiras disputava vários jogos com outros adversários e não perdia. Se encontrava na liderança em outros campeonatos, e tinha uma boa fase naquele ano. Mas o futebol é uma caixinha de surpresas, tudo é possível nesse esporte.

Retornaram ao jogo, depois de um intervalo pensativo para os Vascaínos. Segundo tempo rolando e pênalti na área, Romário começou e marcou o seu primeiro gol. “Mesmo perdendo de 3x1 eu sentia que a gente ganharia o jogo. A Confiança retornou ao time em campo...” afirmou Juninho Paulista em entrevista ao SporTV.

Minutos depois, mais um pênalti e Romário guarda o seu o segundo gol. O placar estava 3x2, a torcida Vascaína voltava com a esperança da virada e na expectativa de ganhar essa final. Juninho Paulista, responsável direto pelos dois primeiros tentos do “baixinho”, marcou o gol de empate. O vasco tinha um jogador a menos, Júnior Baiano foi expulso, dificultando ainda mais o processo rumo a vitória. Mas o clube em si não desanimou, seguiu em frente.

Nos acréscimos, eis que a bola sobra na área, pronta para fazer o gol da virada, e Romário aproveitou muito bem esse lance. Com uma polêmica, o jogador comemorou pedindo silêncio para os torcedores palmeirenses. Deu o que falar!
Comemoração polêmica de Romário após o gol da virada.

Os gols Palmeirenses no primeiro tempo foram marcados por: Arce, Magrão e Tuta.

O árbitro deu o apito final e o clube de regatas Vasco da Gama foi o campeão da Copa Mercosul de 2000. Neste dia, o time confirmou e consagrou o seu lema como: “O VASCO É O TIME DA VIRADA!...” sendo produzida logo depois como música para os torcedores.

Clube vascaíno comemorando o título da Mercosul.

Joel Santana, técnico na época do Vasco, foi um dos precursores para a virada radical do clube contra os alviverdes naquele ano. Não se sabe o que ele disse no vestiário aos seus jogadores no intervalo do jogo, mais a única coisa que podemos afirmar foi a sua certeira sorte, ânimo, confiança e bom aproveitamento de todos em campo para cada lance, naquele segundo tempo. O futebol realmente deixa marcas, e esse jogo com certeza está no livro de histórias épicas do futebol.