JOGOS PARA SEMPRE - França e Itália, final da Copa de 2006


Fabio Cannavaro, capitão italiano, levanta a taça de campeão mundial, em 2006.
Naquele ano, o jogador se tornou o primeiro zagueiro a ser eleito melhor do mundo pela FIFA. (Foto: Reprodução)
Por: Rafael Perdigão
FutebolNews

O ano de 2006 foi mágico para os torcedores italianos e é lembrado com muito saudosismo pelos mesmos. Apesar de estar fora do Mundial da Rússia, a tetracampeã Itália é uma das grandes escolas futebolísticas e hoje vamos lembrar um pouco do seu último título, conquistado diante da França. A grande decisão foi disputada no Olympiastadion, em Berlim, na Alemanha, no dia 9 de julho daquele ano.

Na primeira fase, a "Squadra Azzurra", como é chamada a seleção da Itália, se classificou em primeiro lugar do grupo E, que contava também com Gana, República Tcheca e Estados Unidos. Já na fase de mata-mata, eliminou Austrália, Ucrânia e a anfitriã Alemanha, até chegar na partida decisiva contra os franceses. Estes, haviam feito uma belíssima campanha, eliminando, inclusive, o Brasil, em uma seleção espetacular que contava com o craque Zinedine Zidane, em ano de encerramento de sua vitoriosa carreira.
Os dois times. (Foto: Reprodução)

Antes da final, muita expectativa de ambos os lados: os italianos confiavam na sua defesa tradicionalmente forte, enquanto os franceses apostavam suas fichas no poderio ofensivo.  As duas escalações (que você pode observar ao lado) contavam com astros do futebol mundial e o jogo foi um grande espetáculo, digno de uma final de Copa do Mundo.

O duelo começou muito movimentado: no primeiro minuto, o atacante Thierry Henry sofreu um choque de cabeça e caiu desacordado. Para sua felicidade, melhorou rapidamente e pôde ver, logo aos 6' do primeiro tempo, a França sair na frente. Em uma jogada de Malouda, o zagueiro italiano Materrazi acabou por cometer o pênalti. Claro que quem pegou a redonda para cobrar foi Zidane, que fazia sua última partida oficial como jogador de futebol (atualmente, comanda o Real Madrid e é o único técnico tricampeão da Champions  League de forma consecutiva em toda a história). Com muita maestria, o camisa 10 aplicou uma "cavadinha" na bola, que ainda tocou no travessão antes de entrar e inaugurar o placar. 

Ainda que saindo atrás, os jogadores da Azzurra mantiveram o sangue frio e chegaram ao empate no décimo nono minuto da primeira etapa. Em cobrança de escanteio de Andrea Pirlo, Materazzi (o mesmo que cometeu a penalidade) subiu mais alto que toda a zaga francesa e igualou o marcador. Até o fim dos quarenta e cinco minutos iniciais, foram os italianos que continuaram a chegar com perigo mais vezes; teriam voltado para o vestiário com vantagem se o centroavante Luca Toni não tivesse cabeceado a pelota no travessão, após outro escanteio cobrado por Pirlo.

Na segunda etapa, a seleção da França voltou mais incisiva. Logo no início, Henry teve chance de colocar seu país na frente, mas acabou desperdiçando. Aos onze minutos, Patrick Vieira sentiu lesão e foi substituído por Alou Diarra. Aproximadamente cinco minutos depois, o técnico Marcelo Lippi mexeu na Itália: retirou de campo Simone Perrotta e Francesco Totti, cansados, para colocar em seus lugares Daniele De Rossi e Vincenzo Iaquinta.  Assim, os italianos passaram a buscar mais bolas aéreas e conseguiram chegar ao segundo gol com Luca Toni, porém o jogador encontrava-se impedido no momento do lançamento. O bandeirinha assinalou corretamente e ele só pôde lamentar. 

Tivemos, ainda, boas chances dos dois lados, mas nenhuma delas resultou em gol: Andrea Pirlo ficou no quase em uma cobrança de falta e Henry entrou cara a cara com Buffon, chutou forte, mas o goleiro fez a defesa. Nos minutos finais, Alessandro Del Piero entrou no lugar de Mauro Camoranesi e não conseguiu nada relevante. Com o placar empatado em 1 a 1, Horacio Helizondo apitou o fim do tempo regulamentar. 

Exato momento da cabeçada
de Zidane em Materazzi.
(Foto: Reprodução)
Desta forma, fomos para o tempo extra, que foi bastante movimentado. A Itália optou por ficar mais em seu campo, enquanto a França tentava armar tramas ofensivas. Aos nove minutos da primeira etapa da prorrogação, Ribéry tabelou com Malouda e teve a oportunidade de desigualar o placar, porém chutou rasteiro para fora do alvo. Após esse lance, o francês foi substituído por David Trezeguet, que viria a ser um dos grandes personagens do encontro. Aos treze, uma grande oportunidade: Zidane subiu sozinho, finalizou com a cabeça, mas Buffon impediu com uma mão somente, fazendo uma defesa espetacular. Não seria essa a cabeçada de Zinedine que entraria para a história da final.

Exaustos, os dois times voltaram para o segundo tempo extra. Henry, que mal conseguia caminhar, teve que deixar o campo logo no segundo minuto, substituído por Wiltord. Pouco depois, uma gesto que entrou para a história: Zidane, muito nervoso com provocações, acertou uma cabeçada proposital no peito de Materazzi, longe da ação de jogo. Dedurado pelo árbitro reserva, o camisa 10 foi expulso de campo e se despediu do futebol de forma vergonhosa, totalmente diferente do que foi ao longo de sua linda carreira futebolística. Com um a menos, a seleção francesa resistiu aos minutos finais e a decisão da taça foi às penalidades máximas. 

Nos pênaltis, Wiltord, Abidal e Sagnol converteram para a França, enquanto Trezeguet desperdiçou. Do lado italiano, 100% de aproveitamento: Pirlo (eleito melhor em campo), Materazzi, De Rossi e Grosso fizeram os gols e levaram os italianos à loucura. Foi de forma sofrida que a "Squadra Azzurra" se sagrou tetracampeã mundial, vencendo uma decisão que entrou para a história e, assim, se eternizando em um dos chamados "JOGOS PARA SEMPRE". 

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