Não basta não ser racista, precisamos ser antirracista



Fotos: Reprodução
André Neves - @nevestbc


No mês da consciência negra o futebol sofreu com racismo, e ninguém fez nada. Parafraseando o Taison, “não basta não ser racista, precisamos ser antirracista”. Recentemente, alguns casos ficaram famosos pela recorrência e  pela forma com que os jogadores reagiram. Taison, Dentinho, Koulibaly, Balotelli e Lukaku sofreram com tais injúrias e de forma surpreendente as federações nacionais e a instituição máxima do esporte não tomaram nenhuma atitude além das notas de repúdio.

Na sexta-feira, dia 6 de dezembro, em carta aberta, os dirigentes dos vinte clubes da Série A TIM se mostraram preocupados com essas manifestações. Nela, comentam que o racismo não desaparecerá sozinho, reconhecem a inutilidade das respostas e pedem medidas rigorosas, declaram que “É POUCO!”. 

Contudo, após gritos racistas e sons de macacos ouvidas pelo atacante italiano Balotelli, o presidente do Brescia, Massimo Cellino, declarou É negro e está tentando se clarear, mas está tendo problemas com isso. Meu técnico cometeu um erro na última semana. Ele falou sobre Balotelli na coletiva e não sobre o time. Fizemos disso um ponto de fraqueza por superexposição. Se continuarmos falando sobre Balotelli, o machucaremos e também machucaremos a nós mesmos." 

Em resposta, o clube publicou em redes sociais uma nota de esclarecimento que nada amenizava as trágicas palavras do mandatário. Em suma, o clube alegou que tudo não passou de uma piada. Trágico.






No Brasil


Situação parecida ocorreu a pouco tempo no futebol brasileiro. No último clássico mineiro entre Atlético x Cruzeiro, em uma confusão após o apito final, um torcedor do time alvinegro, tentando coagir um segurança, gesticulou e gritou de forma enfática “olha sua cor!”. A internet não o perdoou, em campanha nas redes sociais, encontraram o sujeito que foi intimado e terá que responder judicialmente pelo artigo 140 da constituição penal brasileira.





A solução?

Em contrapartida, movimentos para o policiamento dessas atitudes vem surgindo ao redor do mundo. No Brasil, o símbolo desta vigilância é o excelente trabalho feito pelo Observatório da Discriminação Racial no Futebol. Desde então, Marcelo Carvalho, 44 anos, criador do projeto, ajuda a fiscalizar estas atitudes. Um caso emblemático que mostra a eficiência desse projeto aconteceu em 2014. Na ocasião, em jogo realizado entre Santos e Grêmio,  o goleiro, Aranha sofreu com gritos de “macacos”. Ao fim da partida, ocorreu a identificação de torcedores como a Patrícia Moreira, flagrada por câmeras de TV, que foi demitida e processada por injúria racial. Já o clube, sofreu com a exclusão da Copa do Brasil.

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