Análise | As lições da final da Libertadores em jogo único


Por: Guilherme de Carvalho Alves
FutebolNews, Minas Gerais

No último dia 23 de novembro o mundo inteiro presenciou a primeira final em jogo único da história da Copa Conmebol Libertadores, milhões de pessoas viram a história sendo escrita pelo marcante duelo entre Flamengo e River Plate, que ficará para sempre nas memórias dos amantes de futebol.

Quando a decisão de substituir os históricos confrontos de ida e volta nas finais foi tomada, muitas pessoas levantaram críticas sobre o que havia sido decidido; críticas essas, que continuarão existindo nos próximos anos e provavelmente nunca deixarão de existir. Afinal, o show que era feito em dois jogos é de fato insubstituível; os shows de cada torcida em seus respectivos estádios aqueciam os corações de cada torcedor ao redor do mundo e, justamente por esse e outros motivos, o que aconteceu nos últimos anos jamais será esquecido. No entanto, daqui para frente uma nova realidade passará a ser vivida.

Diferente do que muitos imaginavam, a conturbada final da Libertadores deste ano, realizada em Lima no Peru, cercada de polêmicas envolvendo a Conmebol, Chile e outros, mostrou que, por mais que o show das duas torcidas não seja o mesmo do que era anteriormente, o preço a ser pago para assistir de perto uma final em jogo único é completamente válido. Se em dois jogos a atenção de cada time tem de ser redobrada, um único jogo não permite erros e uma única bola pode decidir a partida da vida de muitos jogadores.


A final da edição da competição mais cobiçada da América deste ano bateu todos os recordes possíveis, superando inclusive as últimas quatro edições de Copa do Mundo na Globo. Tais marcas comprovam o sucesso deste ano, por mais que ainda não seja aceita por todos os amantes do mundo da bola.

No entanto, as lições que esta final deixa para todos nós vai muito além de arrecadação de dinheiro ou alcance de audiência, vai muito além da aceitação ou não das pessoas. Por mais que os números devam sempre ser levados em consideração, o que torou essa final inesquecível foi todo o sentimento envolvido por cada lado da disputa. Seja argentino, seja brasileiro, durante os mais de 90 minutos de jogo vimos uma prova imensa de amor ao clube e amor ao futebol.

Uma partida que, felizmente, não foi marcada por confusões entre torcedores, e sim pelo que aconteceu dentro de campo. Neste ano de 2019, a história que foi escrita por Flamengo e River Plate pode ser, ano após ano, reinventada por cada clube participante, e cada sentimento envolvido na disputa, em uma única partida, que justamente por ser única, também proporciona momentos únicos e inesquecíveis.

Já não há mais motivos para se debater se um jogo é melhor que dois. É preciso se acostumar com essa nova realidade. A realidade que pode ser resolvida em um único lance, a realidade da emoção, da garra e do coração, que deixam para trás a realidade da estratégia de se defender em um jogo e atacar em outro, cedendo lugar a únicos 90 minutos em que os 11 jogadores de cada lado precisam mostrar, sem medo, ao que de fato vieram. E essas são, com certeza, as maiores lições que a final deste ano poderia deixara para todos nós. Por fim, nos resta esperar os próximos capítulos dessa história.

0 Comentários