Libertadores; O caminho do River até a final


Por Diego de Deus

Futebol News, Minas Gerais

Reprodução: Pedro Stefanec/ Reuters

O River Plate começou com o pé esquerdo na competição, surpreendendo imprensa e torcida tratando-se do atual campeão da América. Sorteado no grupo A, junto do Alianza Lima do Peru, Palestino do Chile e o Internacional do Brasil, muitas foram as dificuldades do time no início da competição. Na primeira rodada jogando fora de casa, o River saiu apenas com um empate de Lima, mesmo resultado que viria a acontecer nas rodadas posteriores, empatando em casa com o Palestino em 0x0 e fora contra o Internacional em 2 x 2.





Depois de três partidas sem vitórias, acendeu-se o sinal de alerta no vestiário millionario, os resultados não vinham e o que era entregue pela equipe dentro de campo não davam esperanças aos torcedores. A primeira vitória chegou apenas na quarta rodada, jogando em Buenos Aires, a equipe de Gallardo derrotou o Alianza Lima por 3x0 sem contestações. Novamente a vitória veio na quinta rodada, jogando no Chile, o atual dono da América conseguiu chegar aos 9 pontos depois da vitória por 2x0 sobre o Palestino. No Monumental de Nuñez na rodada que fechou a fase de grupos, novamente contra o Inter, o placar de 2x2 se repetiu, sendo o gol de empate dos argentinos marcado por Lucas Pratto aos 48 minutos do segundo tempo.

Classificado em segundo lugar em seu grupo e tendo conquistado apenas duas vitórias, o River decidiu todos os confrontos fora de casa e pela frente, tinha outro brasileiro que expunha expectativa diante do público; o Cruzeiro. Após dois jogos totalmente desprovidos de qualidade e emoção, o confronto teve seu desfecho nas cobranças de pênaltis, momento em que Franco Armani brilhou. Logo na primeira cobrança cruzeirense, o goleiro da seleção argentina já mostrou quem seria o predestinado da noite defendendo a cobrança do capitão cruzeirense Henrique. O mesmo aconteceu com o atacante David, que sucumbiu na terceira cobrança colocando o River com um pé nas quartas de final. Pé esse que Borré usou na cobrança que sacramentou a vaga para a próxima fase da competição.

Agora a pedra no caminho era o Cerro Porteño, equipe que vinha muito bem na competição, jogando um futebol agradável de ser ver. Pode-se afirmar que o confronto foi decidido no jogo de ida, quando o River atropelou os paraguaios com mais de 20 finalizações, fazendo com que os 2x0 tenha até ficado barato. Na partida de volta, mais uma vez o herói da classificação argentina foi Franco Armani. Desta vez a partida não foi decidida nos pênaltis, mas Armani impossibilitou um desastre, sobretudo na primeira etapa, quando o Cerro saiu na frente e exercia grande pressão para chegar ao gol que empataria o placar agregado. Empate que ocorreu, mas não da maneira como os os donos da casa esperavam; De La Cruz fez o gol que colocaria o time argentino nas semi finais pela quarta vez em 5 anos.

Restando apenas quatro equipes, a que “sobrou” foi uma velha conhecida. Por acaso, a mesma que enfrentara na última final. Por ordem do destino, Boca e River, uma das maiores rivalidades do mundo, estaria frente a frente mais uma vez. O Boca Juniors vivia excelente momento na temporada. Sendo líder da Superliga com uma defesa intransponível, o time de Alfaro trazia uma carga emocional de um clássico recente pelo campeonato argentino, além é claro, por ter sido derrotado na edição anterior, caracterizando-se como um dos fatores que aumentava ainda mais a imprevisão acerca do confronto. Mas o que se configurou na prática foi algo distante das pvias. Depois de um extermínio Millionario e uma partida nula por parte do Boca, muitos já colocavam o River Plate em mais uma final continental, seguidos dos 2x0 marcados por Borré e Fernández.

Em La Bombonera, os xeneises foram com tudo para cima de seus rivais. Comprando a ideia, o tetra campeão da América se trancou na defesa e deixou-se encurralado perante o desespero que tomava conta da partida. Finalizando apenas sete vezes, o River teve sua meta ameaçada em 21 oportunidades, até que o venezuelano Jan Hurtado marcou após bola levantada na área. No entanto, o único gol sofrido, não tirou o time de mais uma final, a 15a sob o comando de Marcelo Gallardo.

O River chega nessa decisão com apenas quatro vitórias ( Alianza Lima, Palestino, Cerro Porteño e Boca Juniors), sendo apenas uma fora de casa, justamente contra o Palestino. O aproveitamento chega aos 52,7%, número bem abaixo dos 63,8% alcançados no ano passado. O time é o segundo que mais cria oportunidades de gol na competição, entretanto também ocupa a segunda colocação em chances desperdiçadas, o que resulta em apenas 15 gols marcados até a final desse sábado. Com uma média de 30 chances criadas por jogo, a média de gols marcados é o que preocupa, apenas 0,68.

Gallardo está no máximo a 120 minutos para escrever mais uma parte de sua crônica dentro do clube. O “líder desse projeto” (como é tratado pelo corpo administrativo do time), terá que resolver esses problemas se quer chegar ao topo da América pela 4a vez com as cores de coração, fazendo parte desse conto, uma vez como jogador e as outras três como técnico.

Caso a vitória venha, o River Plate chegará ao seu quinto título continental, empatando com o Peñarol do Uruguai. Porém, ainda fica atrás de dois compatriotas; o Boca, que detêm seis canecos, além do maior vencedor da competição, o Independiente de Avellaneda, que já conquistou o título sete vezes em sua história.




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