Difícil de apontar um favorito para um jogo desse sarrafo, se é
que ele existe. Há nove meses essas duas equipes disputavam a final da
competição, em que lhe foi dada a denominação de ¨O final do mundo¨. Depois do
ocorrido no Monumental de Nuñez, o final do mundo parecia bater a porta e
aquela final tão esperada correu o risco de não ser realizada. Enfim, ela
aconteceu, depois de três remanejamentos de datas com River se sagrando campeão,
como todos já sabem.
Nessa edição da Libertadores, Boca e River são as equipes que
conseguiram estabelecer um padrão de jogo muito claro e definido, duas escolas
bem diferentes é óbvio, porém ambas vem alcançando o resultado de excelência no
qual todos lá trabalham. O River Plate, como já é de praxe, um o time que busca
sempre o gol, com troca de passes e armação rápida no ataque. Seja pelo
tradicional 4-3-3, ou até pelo 4-4-2 da maneira como que a equipe jogava no ano
de 2018. Os números do time do Rio da Plata em 2019 mostram o motivo de estarem de novo a um passo de disputar pela terceira vez em cinco anos,
diretamente o posto de dono da América. Até agora, em jogos oficiais, o time de
Gallardo coleciona 42 jogos com 60,3% de aproveitamento com; 21 vitórias, 13
empates e 8 derrotas, tendo uma média próxima a 1,88% de gols por partida.
O Boca Juniors, em contrapartida, é o time que joga totalmente
contrário aos conceitos de El Muñeco. Sem dúvida nenhuma, é a equipe
mais chata de se jogar. Primeiramente pelo estilo de jogo e característica dos
seus atletas. Em um esquema muito bem desenhado, os xeneises atuam em um
4-1-4-1, dando muita liberdade aos seus homens de beirada. Eduardo Salvio,
ex-Benfica, é uma peça imprescindível nessa perspectiva. Embora tenha jogado
pouco por conta de lesão, o meio campista extremo se encaixou muito bem na
padronização do jogo de Gustavo Alfaro, mudando bem a característica do antigo
dono da posição, o uruguaio Nandéz que hoje atua pelo futebol italiano. O
sistema defensivo de Alfaro, não era vazado a 5 meses pelo campeonato nacional.
Acabou que no último sábado, o Newell`s Old Boys, conseguiu marcar um gol no empate de 1 a 1 em La Bombonera. Em 42 jogos no ano, o Boca sofreu apenas 18 gols, tendo a média de 0,42 gol por
jogo, o que em suma corresponde a incrível marca de 2 gols sofridos, nas
últimas 13 partidas.
Em comparação aos times que disputaram a final em Madrid no ano
passado, o time azul e amarelo é o que passou por uma reformulação radical, o
que não é espanto no contexto econômico sul-americano. Dos onze que começaram
aquela partida, sete não estão mais no plantel, junto também o técnico
Schelotto que comandara o time na ocasião. O River por sua vez não sofreu com
desmanche, as únicas baixas para o ano de 2019 foram o zagueiro Maidana e o
meia Pichi Martínez, que partiu em aventuras na MLS.
O retrospecto recente, é de total favor do atual campeão da
América. Nos últimos oito confrontos, foram 6 vitórias millonarias, um empate e
apenas uma vitória para o Boca. Certamente esse será mais um fator que irá
pesar muito, a favor ou não, para os vistantes dessa noite, e claro, a chance
de dar um leve gosto de vingança aos seus rivais eternos. Lembrando que há
exato um mês, o clássico aconteceu pela superliga e o resultado final foi de
0x0. Na oportunidade, Alfaro foi muito questionado pelas peças que escolheu e
da postura com que sua equipe entrara em campo. Com dois volantes de contenção
( De Rossi e Marcone) o River não teve sua meta ameaçada em momento algum,
amassando o Boca que se segurava na sua maior arma; o sistema defensivo.
Levando muitos a chamarem o time de covarde, por não tentar fazer frente aos
seus ¨inimigos¨.
O equilíbrio das equipes esse ano se faz presente, embora os
números do Boca Juniors sejam melhores em termos de resultado, o River Plate é
o time que possui uma maior potencialidade de mudança dentro de quaisquer jogos
no confronto. É um time com mais tempo de trabalho e filosofia concretada.
Todavia, o Boca também detêm uma forma de jogar muito sólida e coesa, chegando
a esse duelo em sua melhor forma dentro dos oito confrontos citados acima. Isso
tudo transforma o confronto numa visão ainda mais curiosa, pois são ideias
muito divergentes entre si, que guerrearão dentro de suas propostas e seus
objetivos, nessa semi-final que promete ser tão quente como aquele confronto do
dia 8 de dezembro.

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