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| Firmino foi mais um dos tantos jogadores apagados na partida. Imagem: portalnoar.com.br |
Por Rodrygo Nascimento
FutebolNews
Em jogo sem brilho, os comandados de Tite perdem para o Peru nesta madrugada de terça-feira para quarta, no estádio Los Angeles Memorial Coliseum, Estados Unidos. Uma seleção com alguma modificações em relação ao amistoso contra a Colômbia, a principal delas foi a ausência do craque Neymar, que por sinal fez muita faz em boa parte do jogo.
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| Time que iniciou a partida desta madrugada. Imagem: SofaScore |
Mesmo com algumas mudanças nos 11 titulares, Tite manteve seu sistema com variações no esquema dependendo dos momentos com e sem bola e variando nas transições. Em sua organização ofensiva, manteve os 4 defensores em linha e teve o apoio do seus volantes (Casemiro e Allan), Coutinho com mais liberdade para circular e oferecer linha de passe para ambos. Chegando no segundo terço, o triângulo o meio-campo se invertia, com Casemiro vindo para a base da jogada, Coutinho se posicionando pelo lado esquerdo, Allan pelo lado direito, porém, com liberdade de chegada na área. Os extremos David Neres e Richalison sempre mantendo suas posições oferecendo amplitude, recebendo passes longos para sair nas costas dos laterais peruanos e buscando as jogadas de linhas de fundo, algo que não funcionou no primeiro tempo. Enquanto o Brasil circulava a bola em zonas sem perigo tendo uma posse de bola estéril. Até aos 16 min a seleção não havia finalizado contra a meta de Gallese.
O Peru, por sua vez aproveitava os espaços cedidos pelos meio-campistas que descompactavam no segundo terço. Em organização defensiva, a seleção de Ricardo Gareca fechava à frente da sua defesa formando linhas de marcação, sempre em bloco. Oferecia os corredores laterais, mas induzindo os jogadores brasileiros a centralizarem as jogadas, assim conseguindo dobrar a marcação à frente da área e saindo em velocidade. Ruidiaz foi bastante acionado com passes longos seja de Yotún ou Aquino, ambos com papel fundamental no momento sem bola fazendo movimentos verticais das variações de 4-3-3 para o 4-1-4-1. Esses movimentos se devem as transições tanto defensiva quanto ofensiva da seleção peruana, algo que dificultou os comandados de Tite nos 45 min iniciais. No geral, o Peru foi melhor que o Brasil no primeiro tempo, mesmo que a seleção brasileira tenha tido mais volume, boa parte do volume ofensivo foi dado aos 30 min, quanto Richarlison e Neres inverteram as posições e passaram a jogar da ponta para dentro. Richarlison inclusive foi o principal jogador do Brasil no primeiro tempo, finalizou três vezes e obrigou uma boa defesa de Gallese.
Já no segundo tempo o Brasil voltou mais ligado, conseguindo ser mais vertical e furando com mais facilidade a linha de defesa peruana. Uma modificação no sistema foi a mudança para o 4-4-2 sem bola, seja em bloco alto ou médio, fazendo com que a marcação por zona se encaixasse e igualou o número de jogadores no segundo terço, sem ceder espaço. Neutralizou as esticadas de bola para Ruidiaz e quebrava a velocidade imposta pelo Peru. As perseguições mais longas ao portador da bola eram feitas por Allan que se mostrou fundamental neste quesito, entretanto quando foi necessário finalizar perdeu uma grande oportunidade. Outra movimentação notada no segundo tempo foram os desmarques que Roberto Firmino fazia, sempre saindo da referência para os extremos e meio-campistas entrasse na área.
Neymar e Paquetá entraram nos lugares de David Neres e Firmino respectivamente, com isso Coutinho passou a atuar mais recuado para tentar quebrar a marcação com passes verticais. Paquetá aberto pela direita foi pouco acionado, talvez não fosse a melhor posição para o meia do Milan atuar. Neymar de falso 9 buscava bastante o jogo na base da jogada, quebrava a linha de marcação com seu 1x1 forte, por vezes trocou de posição com Richarlison confundido a marcação peruana. O Brasil aumentou seu volume ofensivo, porém, continuava a ser ineficaz na finalização. Com Vinícius Júnior no lugar de Richarlison o volume pelo corredor esquerdo diminuiu, foi a estreia no atacante do Real Madrid na seleção principal, entretanto não era o melhor cenário para isso. Pouco criou, além disso não conseguiu recompor com a mesma eficacia de Rich.
Mesmo com todo volume e impeto ofensivo, o Peru saiu na frente aos 38 min. Cobrança de falta de Yotún e bola na cabeça do zagueiro Abram. Falha do sistema defensivo, começando por Militão que não cortou e passando por Ederson que saiu mal do gol. Depois disso o Brasil chegou a responder com Paquetá que finalizou na pequena área, mas perdeu. Antes disso Bruno Henrique ainda entrou no lugar de Phillipe Coutinho, o que mudou o posicionamento de Paquetá que veio atuar por dentro, mas pelo lado esquerdo tentando fazer uma dobra com Vinícius Júnior, não surgiu o efeito esperado. Fabinho na vaga de Casemiro foi outra modificação no segundo tempo feita por Tite.
Essa foi a terceira derrota da seleção no comando de Tite, duas foram em amistosos e uma na Copa do Mundo. A seleção chega há 2 jogos sem vitórias nesses amistosos, um empate e uma derrota. O mais preocupante não são os números e sim o desempenho, principalmente sem Neymar que é quando a seleção carece de uma referência técnica. O camisa 10 do PSG ainda é indispensável à seleção e de longe o melhor jogador tecnicamente. Mesmo com a conquista da Copa América a seleção não apresenta poucos indícios de evolução, seja no tanto sistema quanto no esquema. A falta de repertório e dependência das individualidades tem prazo de validade e precisa ser corrigida enquanto antes.


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