Por: Vinícius Costa
FutebolNews
Na 4ª edição do Resenha FNews pude entrevistar o grande Fábio Azevedo, jornalista da Fox Sports com passagens também pela BAND e ESPN. Ele contou sobre alguns momentos de sua carreira e deu sua opinião sobre alguns temas recentes no futebol brasileiro. Confira abaixo o bate-papo:
Vinícius Costa- São 20 anos de carreira, com passagens por rádio, TV, jornal e internet. Quais são os pontos positivos de cada meio em que você participou? E também, a participação em todas estas áreas do jornalismo transformaram você em um profissional mais completo?
Fábio Azevedo: Cara, cada um tem sua características, o rádio preserva o imediatismo, a velocidade. A TV mistura a qualidade com a velocidade da informação. E a internet que leva a velocidade das notícias, e que todos meios de comunicação levam pra ela. Para mim, a Internet resume melhor hoje o que é o cenário do jornalismo.
Vinícius Costa- Na TV, você foi jornalista pela BAND e ESPN antes de chegar na Fox Sports, como você avalia sua passagem pelas duas emissoras?
Fábio Azevedo: Cara, minhas passagens por essas duas emissoras antes da FOX foram maravilhosas. Na BAND foi praticamente uma escola, lá que eu aprendi a fazer televisão e na ESPN foi um outro cenário, onde saí de uma TV aberta para uma TV fechada, um outro tipo de público, além de participar muito como apresentador, algo que raramente fazia na BAND.
Vinícius Costa- Você está na Fox há cerca de 2 anos. Como foi essa experiência de chegar em uma emissora nova e em pouco tempo já ter conquistado o público pelo trabalho bem feito?
Fábio Azevedo: Na verdade, eu já fiquei "namorando" a FOX por um tempo, assim que cheguei lá, foi reencontrar amigos, fazer novos amigos. É o lugar que mais me sinto em casa, de todos que trabalhei.
Vinícius Costa- Como jornalista, você emite suas opiniões sobre os clubes, jogadores e as expõe publicamente na TV. Já aconteceu de algum jogador ou técnico reclamar de alguma fala sua, em que estava "cornetando"?
Fábio Azevedo: Já aconteceu sim, mas normalmente é numa boa, um ou outro problema, mas sempre contornado.
Vinícius Costa- Você têm seu quadro de sucesso, o “Palpitômetro”, como ele surgiu? E como é lidar com o torcedor que xinga quando você coloca que o time dele perderá?
Fábio Azevedo: Cara, o palpitômetro é o maior barato. A ideia surgiu de uma brincadeira que a gente fazia na FOX, daí decidi criar um que seja meu, joguei na minha rede social e deu um bom resultado. E quanto aos xingamentos, é algo normal. As vezes acho até que tenho uma crise de identidade, não sei pra que time eu torço, porque sou clubista para um monte de clubes, tem vezes que me chamam de corinthiano, flamenguista. (Risos)
Vinícius Costa- Assumidamente vascaíno, ocorre a situação de às vezes agradar o torcedor vascaíno, mas por alguns ser confundido como clubista, às vezes falar algumas verdades que irritam o torcedor do Vasco e ser criticado por eles. Como você encara isso?
Fábio Azevedo: Então, por mais que muita gente saiba que sou vascaíno, muita gente pensa que não, geralmente acham até que sou flamenguista, então isso acaba não me atrapalhando não.
Vinícius Costa- Até 2008(1º rebaixamento do vasco), o clube era acostumado a disputar títulos anualmente, ter bons elencos e estar na elite do futebol brasileiro. O que você acha que foram as causas para o time pós 1º rebaixamento entrar em uma crise enorme que perdura até hoje?
Fábio Azevedo: As causas principais do Vasco são as mesmas que perduram até hoje, os problemas políticos. Enquanto nenhum dos dirigentes pensarem no Vasco ao invés de si próprio, o Vasco vai continuar penando.
Vinícius Costa- Atualmente no estado do Rio, ocorre um abismo financeiro entre Flamengo e os demais grandes. O que pode ser feito para resgatar o equilíbrio entre os 4 grandes?
Fábio Azevedo: Primeiramente, os clubes devem admitir que existe esse abismo entre os clubes. Enquanto ficarem torcendo apenas para que o Flamengo não conquiste nada, essa distância só vai aumentar. E, repito o que já falei algumas vezes, assim que o Flamengo começar a ganhar títulos, vai enfileirar, e os outros clubes além de financeiramente estarem muito atrás, não irão ganhar mais nada.
Vinícius Costa- Flamengo e Palmeiras estão supostamente em rumo de “monopolizar” financeiramente o futebol brasileiro, você concorda com isto, ou acha que o dinheiro não necessariamente fará com que isso ocorra no Brasil?
Fábio Azevedo: O Palmeiras não deve ser taxado como um clube que está assim somente por causa da Crefisa, por exemplo, o Palmeiras não é nem a maior receita de cota, é o Corinthians. Acontece que o Palmeiras se estruturou, ao se estruturar, não dá pra dizer que é errado essa ajuda da Crefisa.
Vinícius Costa- Temos o líder do campeonato comandado por um gringo. O que acha da vinda de treinadores estrangeiros para treinar as equipes do Brasil?
Fábio Azevedo: Acho ótimo, todo e qualquer conhecimento que venha, só agrega. Não importa se é brasileiro ou estrangeiro, se tem conhecimento e talento, tem que vir para o Brasil. Mas também não podemos valorizar apenas quem é de fora e desvalorizar quem é daqui.
Vinícius Costa- Você acha que a vinda de Daniel Alves, Juanfran, Filipe Luís, Rafinha, jogadores que estavam em alto nível na Europa, podem significar um início da atração de jogadores europeus pelo futebol brasileiro?
Fábio Azevedo: Claro que eleva o nível. Por mais que eles estejam para a Europa em final de carreira, para o Brasil eles estão em um bom momento para atuar com qualidade e elevar o nível do brasileiro.
-Agora pra terminar, eu faço um bate-volta, onde eu falo um tema e você responde com a primeira coisa que vier na cabeça:
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Campeão Brasileiro: Flamengo.
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Campeão da Libertadores: Grêmio.
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Campeão da Copa do Brasil: Internacional.
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Neymar: Precisa amadurecer e pensar como jogador profissional.
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Seleção brasileira: Caminho está certo, apenas acertar alguns detalhes, por exemplo o Tite deixar um pouco de lado seu paternalismo.
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Cristiano Ronaldo ou Messi: Messi.
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Vasco: Paixão.
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Fox Sports: Minha casa.
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Momento mais marcante da sua carreira: São alguns, como a cobertura da Olimpíada de 2016, a notícia do Romário quando foi contratado pelo Fluminense e a maior notícia que eu dei, que foi a do Ronaldinho Gaúcho no Flamengo.
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Maior perrengue que passou como jornalista: Quando dei uma informação errada, baseada em uma fonte que havia me confirmado. Foi a notícia de que o Flamengo tinha contratado o chileno Eduardo Vargas.
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Mauro Cezar: Ele segue o caminho dele, só não concordo com a forma em que ele ataca os colegas dele.
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Clube do vinho: Essa é a maior bobagem que foi criada, eu transformaria o Clube do vinho em Clube do amigo, onde todos mantém uma amizade bacana.
Agradeço ao amigo Fábio Azevedo pela conversa e nos contar um pouco sobre sua carreira.
3 Comentários
Sou sua fã, adoro suas reportagens...
ResponderExcluirMuito bom!!
ResponderExcluirÓtima reportagem Vinícius
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