Fair play financeiro no Brasil: Salvação ou perdição?

Foto: GaúchaZH

Por: Guilherme de Carvalho Alves/FutebolNews

Com um pouco de atraso, o fair play financeiro finalmente chegou ao campo administrativo do futebol no Brasil. Em reunião feita entre a CBF e representantes dos clubes brasileiros, ficou decidido que o modelo adotará alguns padrões europeus e que será implementado gradualmente durante os próximos quatro anos. 

Com isso, os clubes terão de gastar apenas o que arrecadam, estar em dia com seus pagamentos e comprovar a natureza do dinheiro que entra em seu caixa, deixando claro o objetivo de provar que as receitas vêm de fontes limpas e que não há injeção artificial de dinheiro nos clubes, o que poderia reduzir a competitividade dos campeonatos. 

Além disso, haverá também um controle do endividamento com a possível intervenção de um órgão superior caso algum time extrapole certo limite de contas. Ou seja, a iniciativa busca, claramente, diminuir a grande quantidade de clubes endividados no futebol brasileiro atualmente. 

No entanto, tal ação tem suas controvérsias. Obviamente, ela busca que a administração dos clubes brasileiros seja mais profissional e transparente, mas a maneira em como ela for implementada pode causar um certo tipo de monopólio no Brasil, "beneficiando" clubes que tem certa solidez financeira nos dias atuais. 

Obviamente, esses clubes tem seus méritos pelas boas administrações de sua cúpula presidencial, e merecem estar no topo das competições nacionais por isso. Entretanto, dependendo de como será esta "gradual implementação" ao longo dos próximos quatro anos, é possível que vejamos daqui pra frente dois ou três times sempre na ponta dos campeonatos, enquanto os demais travarão brigas entre eles para ver quem mais se aproxima dos "poderosos".

Claramente, medidas como a do fair play financeiro precisam ser adotadas no Brasil, mas a política de implementação e punição precisa ser bem estudada para que o próprio Campeonato Brasileiro e a CBF não saim prejudicadas numa eventual perca de competitividade de seus clubes, o que geraria um desinteresse maior do pública. Além disso, é preciso garantir também que os casos que violem as leis pré determinadas sejam, de fato, punidos, diferentemente do que já aconteceu na Europa, com o Paris Saint-Germain, no caso Mbappé, por exemplo. 

O fato é que à partir do próximo anos já teremos esta mudança no futebol brasileiro, resta saber como ela será guiada por seus superiores e como os clubes se adaptarão à ela. A tendência é que, caso seja uma mudança de sucesso, as más administrações diminuam e, consequentemente, as dívidas também. O questionamento é em quanto tempo isso acontecerá e qual será o preço pago até lá. 

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