O que esperar de Paulo Henrique Ganso no Fluminense?

Paulo Henrique Ganso, novo reforço do Fluminense e principal estrela do elenco. Imagem: esportes.r7.com

Por Rodrygo Nascimento
FutebolNews


Essa talvez seja a melhor oportunidade para uma volta por cima na carreira de Paulo Henrique Ganso. O meia de 29 anos, chega ao Tricolor das Laranjeiras com a missão de ser o regista da equipe comandada por Fernando Diniz. A carência do elenco após a saída de Sornoza facilita a sua titularidade, porém, a intensidade da equipe de Fernando é um dos principais pontos que colidem com o estilo do meia armador.

O fato é que, esta transferência é bem mais importante para o Paulo Henrique do que para o próprio Fluminense. Em baixa na Europa, não rendeu o esperado e sem conseguir uma sequência retorna ao Brasil para a tentativa de recuperar o bom futebol que apresentou no Santos e em alguns jogos pelo São Paulo. Os números tímidos comprovam o baixo rendimento. Nesta última temporada pelo Amiens-FRA disputou 12 jogos, iniciou 5, aproximadamente 43 minutos jogados por partida. Não fez nenhum gol, deu duas assistência, média de 0,01 por partida. Nas interceptações média de 0,7 (66,7%) por partida (dados do site SofaScore). Números extremamente tímidos em uma passagem decepcionante pela França, que era dada como a grande oportunidade em um clube Europeu.

No Sevilla os números são mais tímidos ainda. Total de 28 jogos 7 gols e 6 assistências (números do site Transfermarkt).
O mapa de calor de Paulo Henrique Ganso mostra que o meia atua sempre no último terço do campo, mas pisa muito pouco na área. Imagem: SofaScore.

O mapa de calor mostra a área aonde Ganso mais atua. Observe que o meia chega pouco à área adversária e também dificilmente recompõe no sistema defensivo. Esta falta de intensidade é muito cobrada desde a época do Santos, é justamente a principal característica do seu atual treinador Fernando Diniz. Quando ganhou notoriedade comandando o Grêmio Osasco Audax, a equipe usava e abusava do toque de bola, priorizando as infiltrações pelos lados, inversões de jogo, mas principalmente a sua intensidade no momento sem bola. Os jogadores do meio voltavam pra marcar e ajudavam a recompor o sistema defensivo. O toca e se apresenta ou "pass and move", fez jogadores como Camacho e Tchê Tchê se destacarem e conseguir transferência para times maiores. Corinthians e Palmeiras respectivamente.

Na imagem a posição em que o jogador já atuou. Imagem: Transfermarkt.

Ganso já atuou nestas posições descritas na imagem. Mas o local aonde mais atuou foi como meia central, nos times do Fernando Diniz, nem sempre tem justamente o meia centralizado que joga por trás do atacante. O esquema em que o treinador mais trabalhou com suas equipes foi o 3421. Saída de bola com 32 (3 jogadores mais recuados e 2 jogadores mais à frente). 







Por características físicas e de jogo Paulo Henrique não se encaixaria neste desenho tático, entretanto posição pode ser algo diferente da função em campo. A adaptação do jogador atuando de forma mais solta no momento sem bola é talvez a oportunidade de recuperação do seu bom futebol. No momento o jogador que atua na possível posição do recém chegado é Danielzinho. 

Este é o mapa de calor do último jogo entre Fluminense x Vasco. Zona de ataque da direita para a esquerda. Imagem: FootSats.

O time do Fluminense já lidera quesitos no Campeonato Carioca como: viradas de bola (24 no total, 22 certas e 2 erradas), passes (2747 no total, 2592 certos, 155 errados e média de 549,4) e posse de bola (média de 65%). Características essas que tem o DNA de Fernando Diniz, priorizando a posse de bola, rodando o campo, fechando os espaços e fazendo a superioridade numérica na marcação. 
Neste mapa de calor o setor aonde Danielzinho mais atuou na partida contra o Vasco. Zona de ataque da direita para a esquerda. Imagem: FootStats. 
Danielzinho já trabalhou com Diniz no Grêmio Osasco Audax, ou seja, mostra que o treinador conhece as valências do meia. Sabe aonde colocar o jogador para render melhor e tirar seu melhor futebol. No mapa de calor, a movimentação de Danielzinho caindo bem mais para a esquerda do que pelo centro, mostra que posição x função estão vinculados a característica do jogador.

Nesta última terça-feira (05) o Fluminense foi à campo com a formação que vem atuando no Estadual. O 4231 tem justamente o meia-centralizado que Ganso se encaixaria posição essa que hoje tem Danielzinho como titular.

Formação do Fluminense na partida contra o River-PI pela Copa do Brasil. Imagem: SofaScore

Como já foi dito, está pode ser a grande chance de Paulo Henrique Ganso recuperar o seu futebol e quem sabe brigar por vaga para a seleção. A falta de um meia armador faz com a concorrência não fique tão grande, porém, será necessário adaptação com o estilo de jogo de Diniz, não pelo toque de bola, mas sim por sua falta de intensidade, que já o puniu no Sevilla com Montella e Sampaoli, tornou-se uma decepção no Amiens e a inconstância no São Paulo fez diminuir para quase zero suas chances de ir para a Seleção Brasileira. O tempo irá dizer quem se deu melhor nesta transferência, lembrando que é um contrato de 5 anos. 

2 Comentários

  1. Muito boa análise! Espero que essa realmente seja a oportunidade dele de voltar a mostrar um bom futebol e ainda ajude o Fluzão nesse ano. Saudações Tricolores!

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