![]() |
| Foto: reprodução |
Por: Gabriel Lima
FutebolNews
O dia 25 de maio de 2005 entrou para a história, não só dos amantes do futebol, mas da UEFA Champions League. Nesta data, Liverpool-ING e Milan-ITA entraram no Estádio Olímpico Atatürk, na Turquia, para decidir a competição de clube mais importante do mundo. E eles fizeram um jogo incrível, mais conhecido como o “Milagre de Istambul”, onde o Liverpool desceu para o vestiário perdendo por 3x0, empatou em seis minutos e levantou o troféu nos pênaltis.
Os caminhos das duas equipes até a partida derradeira foi muito diferente. O Milan, comandado por Carlo Ancelotti, chegou com muito mais facilidade, passando sufoco apenas nas semifinais do torneio. Já o Liverpool, comandado por Rafael Benítez, chegou à final aos trancos e barrancos, passando por dificuldades ao longo de sua trajetória.
Na fase de grupos, os italianos encararam o forte time do Barcelona, comandado por Ronaldinho Gaúcho, mas que ainda tinham jogadores como os espanhóis Puyol, Xavi e Iniesta, o português Deco, entre outros. Juntos com as duas equipes, estavam o Shakhtar Donetsk-UCR e o Celtic-ESC, campeão de seu país na temporada anterior. Tranquilo, o time comandado por Carlo Ancelotti perdeu apenas para a equipe da Catalunha e assegurou o primeiro lugar.
Primeira fase do Milan:
1x0 Shakhtar (fora)
3x1 Celtic (casa)
1x0 Barcelona (casa)
1x2 Barcelona (fora)
4x0 Shakhtar (casa)
0x0 Celtic (fora)
Com a quarta colocação na Premier League do ano anterior, o Liverpool se classificou para a fase qualificatória da Champions. Antes de entrar na fase de grupos, os ingleses jogaram contra o Grazer-AUS e deram início à uma campanha tortuosa. Jogando na Áustria, vitória por 2x0. Jogando em casa, no Anfield Road, derrota por 1x0. Classificação garantida, com sustos, para a primeira fase da competição continental. Ao seu lado, no grupo A, estavam o Monaco-FRA, Deportivo La Coruña-ESP e Olympiakos-GRE, comandado pelo pentacampeão Rivaldo.
Novamente no sufoco, o time comandado por Rafa Benítez, somente garantiu vaga na segunda fase no último jogo, ao vencer a equipe grega.
Primeira fase do Liverpool:
2x0 Monaco (casa)
0x1 Olympiakos (fora)
0x0 La Coruña (casa)
1x0 La Corunã (fora)
0x1 Monaco (fora)
3x1 Olympiakos (casa)
Caminho até a final
Primeiro colocado de seu grupo, o Milan enfrentou o Manchester United pelas oitavas e venceu os dois jogos por 1x0. Nas quartas, a vítima foi o arquirrival Internazionale de Milão: passeio nas duas partidas. Jogando em casa, 2x0. Jogando fora, 3x0. O único sufoco foi na fase que antecede a grande final. Jogando contra o PSV Eindhoven-HOL, a classificação saiu apenas aos 45 minutos da etapa final do segundo jogo do confronto. Jogando na Itália, os italianos venceram por 2x0. Já na holanda, foi um 3x1, com muitos sustos e o gol de salvador de Ambrosini.
Ao contrário do que havia passado anteriormente, o Liverpool passou tranquilo pelas oitavas de final. Foram duas vitórias por 3x1 sobre o Bayer Leverkusen. Mas parou por ai. Nas quartas de final, a vitória por 2x1 sobre a Juventus no Anfield Road foi o suficiente para a classificação, uma vez que o jogo da volta terminou em 0x0. Nas semifinais, novamente uma vitória pela diferença mínima garantiu os “Reds” na final. Após o empate sem gols contra o Chelsea-Ing no Stamford Bridge, o gol de Luís Garcia foi suficiente para colocar seu time na decisão.
Final
Em 2004/05, o Milan era o segundo maior campeão da Champions League, enquanto o Liverpool vinha logo atrás. Eram seis títulos para os italianos e quatro para os ingleses. As duas equipes eram recheadas de craques e tinham muitas esperanças para salvar o ano e vencer o título de clubes mais importante do velho continente.
![]() |
| Escalação das equipes |
Na Série A italiana, os “Rossoneris” haviam ficado com a segunda colocação, perdendo o título para a Juventus. Já na Premier League, os “Reds” fizeram uma campanha modesta, terminando a competição na quinta posição.
Primeiro tempo
As duas torcidas faziam muita festa e pintavam as arquibancadas do estádio turco. As duas equipes vinham com grandes craques, principalmente a equipe do Milan, que tinha um em cada posição em campo.
O jogo mal começou e o placar já mostrava 1x0. Isso porque, aos 50 segundos de jogo, o brasileiro Kaká sofreu falta de Traoré. Pirlo cobrou de maneira inteligente, encontrando o capitão Maldini que, livre, acertou um bonito voleio. O goleiro Dudek até chegou a tocar na bola, mas não conseguiu tirar. Esse era o gol mais rápido da história da competição, recorde que foi batido alguns anos mais tarde por Roy Makaay, que balançou as redes com 10 segundos. Era uma amostra do que seria o jogo.
O Liverpool sentiu o golpe e o Milan passou a dominar ainda mais o jogo. Com grande volume de jogo e uma alta intensidade, os italianos chegaram a ter um gol anulado. Shevchenko recebeu bola perfeita do camisa 22 brasileiro e chutou cruzado, sem chances para o goleiro adversário. Porém, ele estava um pouco à frente da última linha defensiva. Dominando o jogo, o Milan aumentou a vantagem ainda no primeiro tempo. Kaká, que destruía com o jogo, puxou contra-ataque aos 38 minutos. Muito rápido, passou pelos marcadores e tocou para o ucraniano Shevchenko na direita, que cruzou para o argentino Crespo chutar forte, sem chances para Dudek. Eram 2x0, mas ainda cabia mais. Perdido em campo, o time do Liverpool rezava para aquela primeira chegar ao fim e o técnico Rafa Benítez chacoalhá-los.
Mas antes que isso pudesse acontecer, mais um gol. Novamente o imparável meio campista brasileiro chamou a responsabilidade. Em uma enfiada de bola perfeita, Kaká encontrou Crespo por trás dos zagueiros que, sem grandes dificuldades, tocou por cima de Dudek e empurrou a bola para o fundo das redes, marcando o seu segundo gol na final.
Segundo tempo
Sentindo que a equipe precisava de apoio, a torcida dos “Reds” passou a cantar o hino do clube em alto e bom som. “You’ll never walk alone” era gritado e os jogadores, em campo, foram contagiados por seus adeptos. Embalados, os jogadores voltaram para o segundo tempo com tanta vontade de empatar o jogo, que conseguiram tal façanha em apenas seis minutos.
A equipe inglesa partiu para cima dos italianos, sem pensar duas vezes, e foram recompensados logos aos oito minutos de jogo. O lateral esquerdo norueguês Riise colocou a bola na cabeça do capitão Steven Gerrard, que cabeceou bonito, no canto. Dida nada pode fazer para impedir o primeiro gol dos “Reds” na partida.
Dois minutos depois, veio o segundo. O Tcheco Smicer, que substituiu o lesionado Harry Kewell, recebeu no meio e bateu forte de fora da área. O goleiro brasileiro não conseguiu fazer a defesa e sofreu um gol até certo ponto contestável. O que não era dúvida, era o Liverpool engolindo o Milan logo nos primeiros minutos da segunda etapa.
O empate saiu quatro minutos após encostar no placar. Após bela troca de passes, Milan Baros tocou na medida para Gerrard, que dominou a bola dentro da área e foi derrubado por Gattuso. Pênalti para a equipe inglesa. Xabi Alonso cobrou forte, no canto direito do goleiro Dida, que fez a defesa. No rebote, o espanhol correu e colocou a bola no fundo das redes para empatar um jogo que parecia perdido. 3x3 no placar.
A equipe de Ancelotti pressionou, mas perdia grandes oportunidades. Melhor no jogo, o Milan via Dudek fazer defesas incríveis e salvar o time do Liverpool. Foram, no mínimo, três defesas cinematográficas. Quando a bola passou por ele, em um rebote aproveitado por Shevchenko, Traoré salvou em cima da linha.
Com o empate no placar, a decisão ia mesmo para as disputas pênaltis.
Disputa por pênaltis
Esgotadas, as duas equipes se preparavam para cobrar as penalidades máximas. O brasileiro Serginho abriu a sequência, mas isolou a bola, chutando por cima do travessão. Hamann era o primeiro cobrador do Liverpool e bateu forte. Dida acertou o canto, mas não conseguiu fazer a defesa. O craque Pirlo bateu para defesa de Dudek, enquanto Cissé deslocou Dida e aumentou a vantagem para 2x0.
Na terceira dupla, Tomasson fechou o olhou e soltou a bomba no canto para fazer o primeiro do Milan, enquanto Riise parou em Dida. 2x1. As esperanças do time italiano aumentaram quando Kaká converteu sua cobrança. Porém, Smicer também balançou as redes e jogou toda a pressão para Shevchenko, que podia definir o confronto. E assim foi. O ucraniano bateu no meio do gol e Dudek se transformou em herói ao defender. O “Milagre de Istambul” Estava decretado. 3x2 nos pênaltis e título incrível para o Liverpool.


0 Comentários