FUTHISTORIA: Cafu



Clubes por onde Cafu atuou. (imagem: Getty)

Aquele que nunca viu a tristeza, nunca reconhecerá a alegria.” - Khalil Gibran.

Por: Calebe Gomes
FutebolNews

Não tem frase melhor para começarmos a falar sobre a belíssima carreira do nosso capitão do Penta, Marcos Evangelista de Moraes ou simplesmente Cafu.

Soa até meio contraditório citar tristeza na carreira desse homem, mas muitas das vezes não sabemos o pouco do que esse cara passou para alcançar o máximo de sua carreira e até mesmo uma glória individual.

Carreira

São Paulo

Antes de começar sua carreira pelo São Paulo, Cafu foi dispensado por diversos clubes onde tentou fazer testes mas sem sucesso.

Inicio de sua carreira no São Paulo. (imagem: Getty)
Em 1988, chegou ao São Paulo. Depois de mostrar grandes qualidades como: polivalência, velocidade, resistência e uma técnica refinada. Em 1989, Cafu começou a fazer parte do elenco profissional do São Paulo que foi campeão paulista daquele ano. 

Sua carreira deu um grande salto com a chegada do Mestre Telê Santana, com a chegada do novo treinador Cafu passou a ter mais minutos como titular da equipe, jogando em diversas posições na equipe, como: Lateral, meia e até atacante pela direita. Em pouco tempo, Cafu começou a obter destaque, tendo seu talento moldado por Telê, Cafu passou a ser crucial no esquema da equipe tricolor, além de titular absoluto. 

Ganhou seu espaço em território nacional, após seus ótimos jogos e títulos conquistados, foi observado e pode assim garantir passaporte para a seleção que disputaria a copa de 1994 até então.

Copa de 1994.

Cafu já sabia como era ser campeão mundial, aliás, já havia ganho duas vezes o titulo mundial de clubes pelo São Paulo, mas o que era um título de clubes perto de uma copa do mundo? Ainda jovem, foi reserva na campanha do Brasil mas entrou em diversos jogos, entrando também na final contra a Itália. Cafu não se abateu e não sentiu a responsabilidade, fez uma boa partida e ajudou a seleção no empate. Nos pênaltis, deu Brasil e Cafu se sagrou pela primeira vez campeão mundial por uma seleção mas mal ele sabia que só seria a primeira de três finais em copa.

Destaque e contrato com um clube Europeu.

Ainda no ano de 1994, Cafu foi eleito o melhor jogador da América do Sul, consagrando a sua passagem impecável pelo São Paulo, com 11 títulos vencidos, tendo maiores destaques para duas Copa Libertadores, dois Mundiais de clubes e um campeonato brasileiro. Além, também, de duas bolas de prata da revista Placar como prêmios individuais naquele ano. Tamanho sucesso, Cafu com certeza despertaria interesses de clubes da Europa e não foi diferente, Cafu acabava de fechar seu contrato com o Real Zaragoza e dando assim inicio a sua trajetória na Europa.

Real Zaragoza 

Ficando apenas uma temporada na Espanha, mas onde foi o suficiente para se sagrar campeão da antiga Recopa Europeia, de 1995. Sem muito espaço no time espanhol decidiu aceitar uma proposta do Palmeiras e voltar ao Brasil para novamente voltar a ser o jogador que se consagrou no São Paulo.


Juventude

Com questões contratuais na transferencia do São Paulo para o Zaragoza, Cafu não poderia voltar para o futebol paulista sem que fosse paga uma multa, por isso o Palmeiras viu como uma oportunidade a ida de Cafu para o Juventude que também tinha a parmalat como parceira e assim pensaram em usar o Juventude como ponte para a chegada de Cafu no Palmeiras.

Porém, não deu certo, pois o Palmeiras ainda sim teve que pagar a multa, sua pequena passagem pelo Juventude computou em apenas 3 jogos pela equipe gaucha e apenas tendo participação em um gol na sua estréia.



Palmeiras
Cafu em ação pelo Palmeiras (imagem: Getty)

Com um elenco recheado de craques, Cafu e companhia conseguiram trazer o título do Campeonato Paulista de 1996, com uma campanha incrível e com um ataque que tinha apetite em fazer gols, sendo assim, goleando seus adversários. Mas apesar de um elenco incrível, o Palmeiras perdeu a Copa do Brasil de 1996 para Cruzeiro e se tornando a maior zebra do futebol naquela época. Logo após a perda do título, o Palmeiras decidiu por mandar diversos jogadores embora e culminando na venda de Cafu para a Roma.






Seleção Brasileira

Mas antes de Cafu na Roma, uma pequena parada para falar novamente de seleção Brasileira.
Em 1997, Cafu foi titular na conquista da Copa America de 1997, onde a seleção Brasileira venceu a Bolívia por 3x1. Cafu se tornou referencia e o melhor lateral direito do Brasil. No mesmo ano se sagrou campeão da Copa das Confederações contra a seleção Australiana, onde venceu por 6x0.

Então viria a primeira copa como titular para Cafu, a copa de 1998 na França.
Cafu teve grandes participações, assumindo então o protagonismo no primeiro jogo, onde fez a jogada que resultou no segundo gol do Brasil contra a Escócia, na vitória de 2x1. A seleção manteve um bom futebol com vitórias convincentes durante a competição e outras, no entanto, dramáticas. O Brasil chegava sua segunda final de Copa consecutiva, porém o desfecho dessa não foi uma das melhores, o Brasil perdeu para a França por 3x0 com um show a parte de Zidane e companhia.

Volta à Europa, dessa vez, Roma

Cafu jogando pela Roma (imagem: Getty)
Voltando a Italia, Cafu recebeu o apelido de Il Pendolino” ou “Trem Expresso” por fazer umas arrancadas incriveis e uns cruzamentos certeiros para os atacantes. Mas  a falta de titulos pelo time da Roma deixava Cafu angustiado.

Em 1999, Cafu voltou a ser campeão pela Seleção Brasileira levantando a taça da Copa América daquele ano, vencendo o Uruguai por 3x0 e assim mostrando a força, liderança e foco de Cafu. Depois de uma longa espera Cafu enfim, conseguiu ser campeão pela Roma.

Em 2001, Cafu e seus companheiros conseguiram vencer o tão sonhado Campeonato Italiano com a Roma, até então poucos jogadores haviam conseguido esse feito, o último havia sido Falcão na temporada 82/83. Uma otina campanha fez com quem esse título ficasse com a Roma, foram 22 vitorias, 9 empates e apenas 3 derrotas em 34 jogos. A Roma naquele ano teve o melhor ataque e a terceira melhor defesa do campeonato.

 E para coroar aquela incrível temporada, a Roma ainda faturou a Supercopa da Itália, quando bateu a Fiorentina por 3x0. Por lá, Cafu se tornou ídolo.

O maior desafio de sua carreira estava prestes a chegar. A Copa do Mundo de 2002

Cafu erguendo a taça da copa do mundo de 2002 (imagem: Getty)
A seleção brasileira chegava desacreditada para a copa. A grade favorita fez um vexame no Oriente Médio, perdendo todos os jogos e sendo eliminado na fase de grupos. Com um elenco muito unido e recheado de craques que viriam a brilhar posteriormente, o Brasil chegou a sua terceira final de copa seguida, isso mesmo, SEGUIDA. Cafu fez uma excelente copa do mundo, fazendo ótimos apoios e uma defesa consistente, ainda fez por merecer e assumiu o posto de capitão da seleção brasileira, após a lesão do então capitão Emerson.

Na final diante dos alemães, o Brasil mostrou muita força, autoridade e bom futebol e venceu por 2x0. Cafu se tornou figura conhecida mundialmente após o titulo da seleção.

Mas quem não lembra do gesto que ficou marcado para sempre? O fatidico, “100% Jardim Irene” em sua camisa e o grito de “Regina, eu te amo.” antes de levantar a taça da Copa do mundo de 2002.

Milan

Depois de se sagrar campeão mundial novamente, Cafu foi alvo de diversas sondagens e propostas, entre elas a do Milan, foi o que mais agradou ao craque, que desembarcou na cidade de Milão em 2003. Cafu seguiu suas boas atuações e em 2004 venceu seu segundo título italiano e a sua segunda recopa da Itália. No ano seguinte, viveu o maior drama de sua carreira, onde viu a vitória sobre o Liverpool escapar em sua primeira final de Champions League. O jogo seguia favorável ao Milan que vencia por 3x0, porém, cedeu o empate para os ingleses e posteriormente a derrota nos pênaltis.

Copa do Mundo de 2006

Na Copa do Mundo de 2006, Cafu tentaria ali conquistar seu ultimo titulo pela seleção mas nem ele nem todo o elenco do Brasil conseguiram ser eficientes, sendo eliminados nas quartas de finais para a França. Cafu deu adeus a seleção naquele ano, foram 142 jogos pelo Brasil, um recorde até hoje.

Volta ao Milan e últimos momentos como profissional

Cafu segurando a taça da UCL (imagem: Getty)
No ano de 2007, Cafu estava consciente de que sua carreira estava chegando ao fim e que ainda poderia ser campeão, porém vinha sendo reserva na maior parte da temporada pelo Milan, mas nada que o fizesse parar de querer titulos. Cafu teria a chance de mais uma vez disputar a final da Uefa Champions League e novamente diante do liverpool mas dessa vez deu Milan, saindo vencedor por 2x1 e ainda se sagrou campeão do mundial de clubes vencendo o Boca Juniors por 4x2.

Em 2008, Cafu viria a encerrar a sua carreira no jogo contra a Udinese onde marcou um gol, na vitoria por 4x1. Terminava assim a carreira de um dos maiores laterias que o futebol brasileiro já teve.







Ano                    Clubes              Jogos      Gols

1990 – 1994       São Paulo          273          38
1994 – 1995       Real Zaragoza   17            0
1995 – 1997       Palmeiras           99           13
1997 – 2003       Roma                 218          8
2003 – 2008       Milan                 166          4

Total:                                              924          64

Seleção Brasileira

Ano                   Jogos    Gols

1990 – 2006      149         5

Titulos

São Paulo

Campeonato Paulista: 1991, 1992
Campeonato Brasileiro: 1991
Copa Libertadores: 1992, 1993
Campeonato mundial : 1992, 1993
Recopa Sul-Americana: 1993, 1994
Supercopa Libertadores: 1993

Real Zaragoza

Recopa Européia: 1995

Palmeiras

Campeonato Paulista: 1996

Roma

Campeonato Italiano: 2001
Supercopa da Itália: 2001

Milan

Supercopa Européia: 2003 e 2007
Campeonato Italiano: 2003-04
Supercopa da Itália: 2004
Liga dos Campeões da UEFA: 2007
Copa do Mundo de Clubes da FIFA: 2007
Trofeo Luigi Berlusconi: 2005, 2006, 2007 e 2008

Seleção Brasileira

Copa do Mundo: 1994, 2002
Copa das Confederações: 1997
Copa América: 1997, 1999
Copa Umbro: 1995

Prêmios individuais

Bola de Prata (Placar): 1992, 1993
Seleção do Campeonato Brasileiro (Placar): 1992 e 1993
Jogador Sul-Americano do Ano (El País): 1994
Melhor lateral-direito das Américas (El País): 1992, 1993, 1994 e 1995
Seleção das Américas (El País): 1992, 1993, 1994 e 1995
Melhor lateral-direito da Europa (UEFA): 2004 e 2005
Seleção da Europa (UEFA): 2004 e 2005
Melhor lateral-direito do Mundo (FIFA): 2005
Seleção do Mundo (FIFA): 2005
Grã-Cruz da Ordem do Ipiranga (Governo do Estado de São Paulo): 2017

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