A final única da Libertadores dará certo?

O maior torneio entre clubes sul-americanos vem sofrendo ano após ano uma descaracterização de suas origens, agora com a final única

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Estádio Nacional do Chile será o primeiro palco de uma decisão em partida única da Libertadores (Fonte:Dicas do Chile)

Natanael Oliveira
FutebolNews

Na ultima terça-feira (14), a Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol) anunciou o que já era esperado por todos: a partir de 2019, a final da Libertadores será decidido em jogo único. A principal motivação da Conmebol para tomar essa iniciativa se deve a uma busca constante de "europalização" do seu principal campeonato, com o objetivo principal de fazer a Libertadores da América se tornar cada vez mais parecida com a Champions League, desde o seu calendário extenso que dura toda a temporada, até mais recentemente, com a final única.

O futebol sul-americano tem algumas particularidades que não encontramos em nenhum outro lugar do cenário futebolístico, o que futuramente poderá fazer com que essa ideia se torne algo equivocado, levando em consideração alguns aspectos que serão abordados aqui.

Locomoção: Diferentemente da Europa, a América do Sul tem dimensões gigantescas que faz ser inviável uma locomoção rápida e confortável para diferentes países, fora que os transportes muitas vezes não são de qualidade, afastando torcedores por inúmeros motivos. Na Europa, o tamanho dos países e a facilidade para se locomover entre eles faz com que se torne fácil para um torcedor alemão por exemplo, viaje tranquilo até a Itália para ver o seu time jogar, muito por conta dos transportes de qualidade como as ferrovias que ligam toda a Europa, fora a falta de burocracia para entrar em outro país. 

Torcedores: Faremos um simples exercício de imaginação aqui. Imagine que no ano de 2016, a final única já estivesse em uso na América do Sul, a partida da decisão foi entre os colombianos do Atlético Nacional e os equatorianos do surpreendente Independiente del Valle. A final foi um sucesso, com duas casas cheias e festas intermináveis, mas e se a decisão tivesse sido no Maracanã? Qual seria o apelo que faria torcedores brasileiros saírem de suas casas para assistir uma final com nenhuma visibilidade midiática, entre times longe de serem populares no Brasil. A atmosfera de festa e pressão seria totalmente quebrada justamente porque pouquíssimos torcedores colombianos e equatorianos viajaram uma distancia gigantesca até o Brasil para assistir a essa final.

Aspecto financeiro e social: Não há como "copiar" a fórmula europeia justamente porque somos culturalmente diferentes, além do fator financeiro que não permite que a grande massa da torcida sul-americana que acompanhou determinado time em toda a campanha continental possa estar presente na final, sacrificando assim toda aquela atmosfera somente vista em decisões latinas, questionando até mesmo se essa medida será prejudicial aos lucros que a Conmebol possa vir a ter, mesmo se acontecer partidas nos Estados Unidos. 

A final única da Libertadores dará certo? só o futuro dirá. 


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