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| Roger Machado foi um dos técnicos demitidos recentemente. (Foto: Cesar Greco/Agência Palmeiras) |
Por: Rodrygo Nascimento
FutebolNews
Resultado ou bom futebol?
Infelizmente no futebol brasileiro nem sempre essas duas palavras caminham lado
a lado. No país pentacampeão mundial talvez não tenha chegado a um consenso e
quem acaba pagando o preço por isso são os treinadores. Pressionados por
diretores do clube e torcida para que tenha um resultado satisfatório
geralmente com pouco tempo de trabalho nem sempre conseguem a aprovação de
ambos e sendo assim acaba demitido.
Condições de trabalho como
manutenção do elenco e CT, tempo para trabalhar e colocar a metodologia em
prática, calendário inchado. São diversos fatores que acabam levando o
insucesso do treinador e comissão à frente de uma equipe e são raros os casos
de que o treinador consegue ter o respaldo da diretoria para seguir. Vale ressaltar
que um dos grandes embates nos últimos anos é referente ao tempo de trabalho do
treinador, o quanto o imediatismo influencia na tomada de decisões tanto para
demitir quanto para contratar.
Principais casos que
acontecem as demissões são eliminações em competições ou briga por rebaixamento
situação perfeita para os cartolas entrarem em ação e jogar a favor da torcida
e demitir o comandante. Por mais que sejam motivos diferentes o discurso segue
o mesmo de que precisa “chacoalhar” e dar outra cara para a equipe. Isso
simplesmente serve como muleta para os dirigentes tirarem suas
responsabilidades como donos do futebol do clube, que por sua vez montam
elencos numerosos, com contratações desnecessárias e estapafúrdias sem qualquer
planejamento, por muitas vezes sem nem ao menos tendo um local adequado para
treinamento ou se quer estádio para jogar, interferindo diretamente na
logística da equipe.
Em contrapartida, o clube
quando consegue dar todas as condições para o trabalho do técnico o mesmo não
consegue colocar sua filosofia de trabalho em prática. Tendo tempo de trabalho,
elenco qualificado, respaldo da diretoria e até mesmo o apoio da torcida e no
final acaba acontecendo a demissão que por fim se torna a melhor saída.
Exemplo nos últimos anos Cruzeiro,
Grêmio e Corinthians colecionam títulos e boas partidas. Até chegar neste
patamar levou tempo e gerou críticas da imprensa e torcida, mas com o respaldo
da diretoria, confiança e firmeza no trabalho os resultados vieram e hoje são
modelos de gestões. Time que caminha nesta direção é o Flamengo que com uma
diretoria responsável respalda o treinador, blinda, da condição de trabalho e
não tem pressa pelo resultado. Segue tendo equilíbrio nas finanças e
investimentos de patrocinadores.
Lógico que esta não é a
fórmula perfeita para o sucesso, mas com todas as condições citadas o resultado
vem. Pode não vir em um ano, porém, com certeza vem. Que o modelo de trabalho
de Corinthians, Grêmio, Flamengo e Cruzeiro sirva de lição para outras equipes.
Filosofia de trabalho, tempo para adaptação, investimento consciente,
planejamento na logística são princípios básicos de uma boa gestão. Até quando
os técnicos vão continuar pagando o pato?

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